Brasília - Para conscientizar a população sobre os malefícios do fumo do narguilé, o Ministério da Saúde levou as informações da campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo para perto da população. Um shopping de Brasília (DF) recebeu um totem para alertar que, ao contrário do que muita gente pensa, o narguilé pode causar diversas doenças, como câncer de pulmão, boca e bexiga, estreitamento das artérias e doenças respiratórias. A ação faz parte da campanha nacional "Da Saúde se Cuida Todos os Dias", que tem como objetivo incentivar as mudanças individuais e de comportamento, reconhecendo que a saúde não é fruto apenas da vontade própria, mas também dos contextos social, econômico, político e cultural em que estão inseridos.
O estudante Daniel Barros, de 22 anos, conta que quando soube desta informação parou fazer uso no narguilé. "Fiquei preocupado em saber disso e foi o que me motivou parar de fumar", disse. Já Deglaucir Teixeira, de 42 anos, observa que se as informações sobre os malefícios do narguilé chegarem a mais gente, o número de usuários diminuirá. "Tem gente que fuma o narguilé pensando que é o contrário, que é melhor fumar ele do que o cigarro. Principalmente por causa dos aromatizantes que existem. Por isso, quanto mais gente souber, melhor", disse.
O totem com as informações viajará pelo Brasil e será exposto em várias cidades brasileiras.
O narguilé, também chamado de cachimbo d’ água, shisha ou Hookah, é um dispositivo para fumar no qual o tabaco é aquecido e a fumaça gerada é resfriada pela água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma mangueira. O narguilé pode parecer menos nocivo que outros produtos de tabaco, porém, assim como todos os produtos de tabaco fumados, causa câncer de pulmão, boca e bexiga, estreitamento das artérias e doenças respiratórias.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma sessão de narguilé com duração de 20 a 80 minutos pode corresponder à exposição aos componentes tóxicos presentes na fumaça de 100 a 200 cigarros. Além dos malefícios causados pela fumaça, o compartilhamento do narguilé com outros usuários pode expor o fumante a alguns riscos particulares, como o de contrair doenças infecciosas como herpes, hepatites virais e tuberculose.
Uma possível explicação para a crença do menor risco à saúde é que a água presente no narguilé filtra parte da nicotina, tornando-a menos concentrada na fumaça. No entanto, essa menor concentração de nicotina no narguilé exige que o usuário aumente o tempo de exposição para alcançar o nível necessário da substância capaz de suprir sua dependência. Assim, o narguilé acaba expondo o fumante a níveis mais elevados de compostos químicos que causam câncer e gases nocivos, como monóxido de carbono.
Vale lembrar que o carvão usado para aquecer o tabaco nesse tipo de dispositivo também é fonte de substâncias tóxicas adicionais, dentre elas o benzeno e o alcatrão, aumentando o potencial de toxicidade do narguilé. Mesmo quando o tabaco é substituído por outras folhas ou ervas, o carvão acarreta prejuízos à saúde. Sendo assim, até os narguilés que não contém tabaco também liberam toxinas.

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