Campanha alerta para cirurgia plástica
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quinta-feira, 29 de março de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) está alertando a população sobre os riscos da realização de cirurgias com médicos que não sejam especialistas. Mensalmente, a entidade recebe entre seis e oito denúncias de pessoas que acabaram ficando insatisfeitas com a cirurgia plástica. Têm casos preocupantes. Existem sempre riscos numa cirurgia plástica. Os riscos com médicos não especializados são muito maiores, argumenta Julio Wilson Fernandes, presidente da SBCP e organizador da XVII Jornada Sul-Brasileira de Cirurgia Plástica que começou ontem em Curitiba.
A atendente infantil Luciene Seely, 38 anos, foi uma das vítimas de uma cirurgia plástica malsucedida e realizada por um clínico geral. O caso ocorreu em 1995, quando ela trabalhava numa creche da Prefeitura de Curitiba. Luciene conta que foi procurar um médico porque estava com infecção na garganta. Ele me disse que eu tinha depressão profunda e me medicou. Mas eu continuei tendo problemas de garganta, destaca.
Ela resolveu voltar ao médico. Ele teria dito que ela estava com a bexiga caída e precisaria fazer uma cirurgia. Ele percebeu que eu estava mesmo deprimida, sozinha. Foi aí que ele resolveu que poderia realizar junto com a cirurgia de bexiga, uma plástica na minha região abdominal, salienta. Luciene pegou uma guia para a realização da cirurgia de bexiga no Instituto de Previdência Municipal de Curitiba (IPMC). Ele me cobrou por fora R$ 1,2 mil. Minha mãe retirou o dinheiro que ela tinha na poupança e me presenteou com a cirurgia, contou.
O médico não teria feito qualquer exame antes da cirurgia. O resultado foi horrível. Um corte de 50 centímetros na barriga e infecção geral. Meu pai resolveu me levar para outro médico, porque ele não me atendia nunca. Tive que ficar internada por três dias para drenar a infecção. Tenho sequelas até hoje. Cheguei a passar problemas mentais sérios e agora só penso em justiça, complementa.
O processo contra o médico foi arquivado no Ministério Público. O Conselho Regional de Medicina (CRM) condenou o médico, que recorreu. O caso está sendo julgado em Brasília. Para ser cirurgião plástico não basta ser médico. Tem que fazer dois anos de cirurgia geral, três de residência plástica e passar pela prova do Conselho Nacional, orienta Fernandes.
Para ter certeza de que o especialista consultado é realmente um cirurgião plástico, a pessoa deve verificar o selo de qualificação (uma placa dourada com validade anual conferida a todos os cirurgiões plásticos) ou ligar para a Sociedade Brasileira de Medicina. O telefone é o (41) 243-7722.
O Paraná é o terceiro Estado brasileiro em número de cirurgias plásticas no ano, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. As mais procuradas são lipoaspiração, prótese de mama, plástica no nariz e na face.


