As camisinhas que seriam distribuídas durante a campanha de Carnaval do Ministério da Saúde - e que foram substituídas por pedaços de papelão ou embalagens vazias remetidas para ONGs e secretarias de saúde - ainda não foram encontradas.
A diretoria da Penitenciária Central do Estado, onde foi realizado o trabalho de embalagem, informou que nenhum preservativo foi encontrado no presídio.
A empresa Clichepar, de Curitiba, responsável pela produção e embalagem dos porta-preservativos, não fez a checagem de todos os lotes e não detectou o problema antes da distribuição.
‘‘Recebemos 1.971.408 camisinhas e caixinhas e já entregamos 1.795.000. As 176.408 restantes estão aqui no presídio, mas a Clichepar não veio buscar e ainda está devendo R$ 1.480,00 para os presos’’, disse Cezinando Vieira Paredes, coordenador geral do Departamento Penitenciário.
Em nota à imprensa, o diretor da Clichepar, Eviton Henrique Machado, acusou os presidiários pelo sumiço dos preservativos. A empresa assumiu ser civilmente responsável pelo ocorrido e se comprometeu a repor os preservativos que faltam.
Dos 2 milhões de porta-preservativos que seriam distribuídos no País, cerca de 25% (500 mil, segundo as ONGs que receberam as remessas) não continham o produto.
O trabalho de embalagem foi feito por 150 presos que deveriam receber R$ 3,00 por cada mil preservativos embalados. ‘‘Antes de acusar os presos, que não têm como se defender, a Clichepar deveria verificar onde e como desapareceram as camisinhas. Todos os presos são revistados e aqui dentro ninguém iria comprar camisinha. Além disso, quem iria ter trabalho de recortar pedaços de papelão para colocar nos porta-preservativos?’’, questiona o coordenador do Depen.
Procurado pela Folha, o diretor da Clichepar não retornou a ligação até o fechamento desta edição.

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