Caminhoneiros testemunham devastação ambiental
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um olhar crítico e de contemplação. Caminhoneiros que percorrem as estradas do Paraná foram ouvidos por uma equipe técnica da Master Natura - Instituto de Estudos Ambientais e apontaram as diferenças de paisagem nas rodovias paranaenses nos últimos 40 anos. São matas que deram lugar a pastagens, florestas que foram dizimadas, córregos que secaram, rios que perderam a graça e a beleza. O caminhoneiro Wanderlei Adilson de Oliveira, 40 anos, foi um dos 184 ouvidos para o trabalho que se transformou no livro ''Rios por Onde Passo'' - recheado de frases, pensamentos e fotografias antigas e recentes.
Oliveira vem percorrendo, há 20 anos, as rodovias do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. ''De um mês para o outro, quando passo por uma rodovia, já percebo a mudança. Existe uma ação constante no ambiente. Sei lá se é por causa do progresso. A verdade é que o ambiente está sendo degradado. Onde havia chácara, vejo empresas. Árvores são cortadas. Matas se acabam e dão lugar à grama. O que era plantação de araucária, hoje é de pinus. E tudo ocorre de forma desordenada porque o pessoal não tem respeito com a natureza'', avalia o caminhoneiro.
Para ele, falta consciência. ''Acho que as pessoas só se preocupam com o lucro. E não adianta dizer que precisa fiscalização. A fiscalização a gente vê. Mas existe algo muito pior que é a negociação do que é fiscalizado. Sempre a gente vê que se vai dando um jeitinho e o desmatamento continua'', denuncia.
Todos os depoimentos e as fotografias foram compilados pela jornalista e ambientalista Teresa Urban, que tentou montar as histórias dos caminhoneiros sem muita interferência. ''O livro é deles. Eu organizei apenas. Eles são os autores e os protagonistas da história. Complemento com informações de ambientes naturais, do que sobra de tudo o que foi apontado por eles'', disse a ex-consultora do Ministério do Meio Ambiente.
O livro mostra que os caminhoneiros têm noção exata dos motivos do desmatamento. E sugerem modificações. ''Se a gente vai analisar cada depoimento, percebe que o que eles querem é que haja educação - e não apenas infantil; que tenha fiscalização constante; e controle da ganância, fazendo com que cada pessoa respeite os limites da natureza'', ponderou Teresa.
A exposição de fotografias é permanente. A idéia é levar o livro e a exposição para os grandes entroncamentos rodoviários do Paraná. E terminar com um grande debate envolvendo setores sociais e organismos de fiscalização rodoviária e ambiental. ''A falta de sinalização nas rodovias é grave. Precisamos ter indicativos de onde é área de manancial, de onde existem rios, onde existe grande variedade de animais'', destacou ela.
Em Curitiba, o livro foi lançado no dia 26, no Espaço Krajcberg, no Jardim Botânico. As fotografias são de João Urban. Dos 184 entrevistados, 69% são do Paraná e os demais de outros Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A maioria trabalha de 50 a 60 horas semanais e tem entre 10 e 30 anos de estrada. No Paraná, mais de 130 mil caminhoneiros percorrem mais de 15 mil quilômetros da malha rodoviária paranaense.


