As concessionárias das rodovias do Anel de Integração estariam cobrando indevidamente o eixo suspenso dos caminhões vazios. A afirmação é da direção do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná, que desde o fim do ano passado vem recebendo reclamações de associados. Além disso, algumas praças de pedágio não estariam devolvendo corretamente o troco. No entanto, o gerente regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovia, Washington Lemos Filho, afirma que as concessionárias estariam cobrando restritamente o que deve ser pago.
O problema da cobrança de eixo indevido é atribuído pelo sindicato ao posicionamento das cancelas. ‘‘Os funcionários ficam sentados e não conseguem ver o reboque, por isso eles afirmam que existe carga, mesmo sem olhar’’, reclama o caminhoneiro Amas Vieira da Silva. O caminhoneiro diz que, ao invés de checar os reboques, as concessionárias estão computando todos os eixos para não perder dinheiro. Com essa cobrança, uma viagem ficaria cerca de 20% mais cara.
Arquivo FolhaMotoristas reclamam que funcionários não dão recibo de pagamentoMas Washington Lemos Filho, da ABCR, rebate estas afirmações. Ele diz que os funcionários estariam bem treinados para identificar quando o caminhão está carregado. Lemos Filho acrescenta que nesta averiguação têm sido flagrados muitos motoristas que levantam o eixo, mesmo com carga, para ‘malandramente’ evitar pagamento.
Mas o caminhoneiro José Frigado diz que se existe malandragem é com a concessionária. Ele conta que quando é contratado por empresas recebe cupom referente ao total de eixos do caminhão, mas ao passar nas praças de pedágio não recebe troco. ‘‘Meu caminhão tem seis eixos e o patrão me dá, mesmo com ele vazio, cupom pagando por todos eles. Mas na ida estou sempre vazio, por isso deveria receber a diferença ou um novo cupom’’, diz Frigado. Ele acrescenta que à noite, quando há poucos funcionários, o troco é sempre menor que o devido.
Outra queixa dos caminhoneiros é que em algumas praças de pedágio do interior os funcionários não estariam emitindo o tíquete de pagamento. ‘‘Se a gente não insistir, acho que eles nem registram o que recebem’’, diz Amas Vieira Silva. No entanto, o gerente da ABCR explica que o cupom de cobrança é emitido simultaneamente com a abertura da cancela. ‘‘Assim se fiscaliza o empregado e evita-se sonegação’’, afirma Washington.

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