Caminhoneiros querem ter os custos revistos
Paulo Pegoraro
Caminhoneiros da região de Cascavel afirmam que a atividade está sendo inviabilizado em decorrência dos custos do combustível, manutenção dos caminhões e do pedágio em rodovias. Eles reclamam que as despesas são altas em relação à baixa remuneração que recebem pelo frete.
Liderados pela Associação de Caminhoneiros Autônomos de Cascavel e Região (Associavel), os caminhoneiros mantiveram até o meio-dia de ontem protesto iniciado na tarde de segunda-feira, na entrada do terminal da Ferrovia Paraná (Ferropar), a 15 quilômetros da cidade e à margem da BR-277.
Os motoristas querem discutir os problemas com as empresas que os contratam para o transporte e com as autoridades, afirma Geová Pereira, presidente da associação. Segundo ele, desde o início do Plano Real o frete vem sendo remunerado praticamente no mesmo patamar.
O transporte de grãos entre Cascavel e o Porto de Paranaguá em um caminhão de 27 toneladas rende R$ 486,00 e apenas em óleo diesel o gasto é de R$ 330,00. Em pedágio são mais R$ 137,00 incluindo ida e retorno.
Somando outros gastos e a depreciação do caminhão, dá para ver que pagamos para trabalhar, comenta Geová Pereira, para quem os governos federal e estadual liberam aumentos de combustível e pedágio sem se preocupar se vamos passar fome.
Desde o início do ano, os combustíveis quase dobraram de preço e no pedágio está previsto aumento de 80% para caminhões (e 100% para automóveis). Ninguém nos pergunta o que achamos destes aumentos, embora sejamos os principais usuários das rodovias, disse.
Os caminhoneiros autônomos também exigem discussões com as empresas transportadores, que repassam frete retendo comissão. Muitas empresas têm poucos caminhões e precisam recorrer a terceiros. Sem um aumento de 30% no que nos pagam, simplesmente teremos que parar em definitivo, diz Pereira.
Apenas diretores da Ferrovia Paraná procuraram os caminhoneiros, para pedir que liberassem o acesso ao terminal, no qual cargas são transferidas de caminhões para vagões.
Eles disseram que estavam acumulando prejuízos, relata Geová Pereira, para indagar a seguir: E sobre os nossos prejuízos, com quem vamos conversar?





