Caminhoneiros
querem dividir
valor do lucro
O Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam) deve apresentar, na reunião com o Ministério dos Transportes, uma proposta estabelecendo um limite máximo do ganho das transportadoras. A intenção é dividir o valor do lucro do frete com os caminhoneiros autônomos, que hoje acabam ficando com o encargo do transporte. ‘‘Os pedágios são pagos pelos motoristas, que já não aguentam mais a dificuldade’’, afirma o presidente do Sindicam, Diumar Bueno.
Bueno diz que os autônomos estão sendo explorados por algumas empresas. Para ele, o valor do frete ofertado para a categoria é muito pequeno. ‘‘O preço estabelecido para as indústrias é muito mais alto do aquele pego pelos motoristas’’, afirma. Ele argumenta que algumas transportadoras e atravessadores estão realizando ‘leilões para baixo’, que variam conforme a demanda no mercado.
Há 30 anos na praça, o caminhoneiro Francisco Vieira reclama que o valor do frete tem caído bastante nos últimos tempos. ‘‘A crise econômica piorou tudo, mas o que afetou mais é o que a transportadora paga’’, diz. Acostumado a fazer viagens pelo País, ele tem optado por corridas pequenas, que evitem passar por praças de pedágios. ‘‘Se não estou morto’’, afirma.
Mas as transportadoras entendem que o problema que aflige os autonômos também as afetam. No Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar), a crise da economia é considerada a causa dos baixos fretes. Na média, a margem de lucro das empresas oscilaria em no máximo 10%.
‘‘A negociação de preços tem que ser feita de maneira serena, porque pode gerar novos conflitos’’, afirma Diumar Bueno. No entanto, tanto a Federação das Transportadoras de Cargas quanto o Setcepar alegam que esse não é o momento ideal. ‘‘Os caminhoneiros deram um prazo de 90 dias para o governo federal cumprir o acordo firmado’’, afirma o presidente do Setcepar, Rui Cichella. (I.R.)

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