A falta de segurança nas estradas é uma das maiores preocupações dos caminhoneiros. Não bastassem os elevados valores dos pedágios e as condições inadequadas das estradas, os caminhoneiros sentem-se inseguros para trafegar, principalmente, no período noturno, quando ocorre a maioria das abordagens das quadrilhas de roubo a cargas e caminhões.
Dados do Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná apontam que quatro mil caminhões foram roubados, em 2003, no Brasil. Na região de Londrina, a polícia registrou pelo menos duas ocorrências nos últimos dias o roubo de um caminhão na Zona Sul e a descoberta, em Cambé, de dois veículos roubados na região Noroeste. A situação está tão caótica que alguns estão passando as noites dentro de batalhões da Polícia Militar.
Paulo César Alves Ribeiro, 38 anos, trabalha há 22 nas estradas brasileiras. Ele conta que somente uma vez foi abordado por ladrões. Um carro tentou jogar o caminhão para o acostamento, mas ele conseguiu fugir. Mesmo não tendo sido vítima, Ribeiro confirmou que teme por sua segurança. Ele explicou que procura passar as noites em postos de combustível bastante movimentados e que ofereçam algum tipo de segurança.
O caminhoneiro Leandro Roger Carbonera, 21 anos, fazia a primeira viagem em seu caminhão novo quando foi roubado, no momento que deixava o pátio de um posto de combustível, localizado na Rodovia Castelo Branco, no estado de São Paulo. Dois homens armados lhe obrigaram a sair do caminhão. Ele permaneceu amarrado em um matagal durante três horas, enquanto seu caminhão carregado de bobinas era levado pelos ladrões.
O prejuízo de Carbonera não foi maior porque o caminhão tinha seguro. ''É difícil esquecer o que passei'', resumiu.
Outro caminhoneiro, Ederson Graciano Bernardinelli, 21 anos, passou pela mesma situação poucos dias depois do amigo. Ele estava chegando na capital paulista quando dois homens, também armados, lhe renderam. Ele foi levado para uma favela em Osasco, na Grande São Paulo, enquanto a quadrilha descarregava a carga de leite, avaliada em R$ 50 mil. O caminhão foi devolvido posteriormente. Ele diz que, após o roubo, passou a tomar mais cuidados.
Marcos Hungaro, 30 anos, é um 'sortudo' que nunca foi assaltado. Ele acredita que um trabalho mais ostensivo da Polícia Rodoviária, durante à noite, poderia amenizar o problema. O caminhoneiro não se importa em perder alguns minutos parado no posto policial. ''Quem não deve, não teme'', declarou.

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