Curitiba - Quem ganha a vida nas estradas muitas vezes tem uma rotina estressante, com má alimentação, sedentarismo, noites em claro e muita tensão para que a carga chegue dentro do prazo ao local determinado. Somando-se isso à falta de tempo e de disposição para ir ao médico, como resultado estão pessoas com a saúde fragilizada, que acabam se tornando mais propensas a causar acidentes.
Para prevenir esse quadro e conscientizar os motoristas sobre a importância dos cuidados com a saúde, o Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem no Trânsito (Sest/Senat), em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outras entidades realizaram ontem a 3 etapa nacional do Comando Saúde, iniciativa que leva para as rodovias brasileiras uma série de exames com o intuito de avaliar a saúde dos caminhoneiros.
Na ocasião, foi montado um posto de avaliação no km 56 da BR-116, no município de Campina Grande do Sul, junto a um posto da PRF. Abordados pelos policiais, os motoristas respondem a um questionário sobre seus hábitos e realizam uma série de exames para medir o índice de glicemia (diabetes), colesterol, pressão arterial, acuidade visual e auditiva, força muscular e gordura abdominal. Os testes são aplicados por alunas de enfermagem da Uniandrade, ao final dos exames, um médico avalia os resultados e faz as recomendações aos motoristas, que saem do posto com uma sacola com brindes e material educativo.
Segundo o médico do trabalho do Sest/Senat, Walcimar Vieira, um dos principais riscos a que estão sujeitos esses profissionais são os distúrbios do sono.''Estatisticamente, 26% a 32% dos acidentes são causados por motoristas que dormem ao volante'', afirma. Para despistar a fadiga, muitos caminhoneiros recorrem a remédios controlados e anfetaminas, os chamados ''rebites'', que acabam por prejudicar ainda mais sua saúde. ''A gente sabe que é muito comum, mas a maioria não admite que usa'', diz Vieira.
O caminhoneiro Carlos Barrado, 45 anos, nega utilizar qualquer artifício químico para driblar o sono. ''O que tira o sono é dormir bem'', garante. Apesar disso, ele conta que vem de uma jornada de 26 horas na direção, em que dormiu apenas duas horas. Apesar da falta de sono no período, os exames de Carlos demonstraram que sua saúde está bem. Mesmo com os bons resultados, ele reconhece que se não fosse obrigado, dificilmente faria exames preventivos. ''Se o pessoal da (polícia) federal não parasse eu ia embora'', diz.

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