Os veículos pesados são os maiores responsáveis pela emissão de gases poluentes na atmosfera, causando danos à população e ao meio ambiente. A renovação da frota dos veículos movidos a diesel tem contribuído para reduzir a fumaça negra, mas para ônibus e caminhões mais antigos, manter a revisão mecânica e a troca de óleo em dia são medidas que ajudam a melhorar a qualidade do ar. Em comemoração à Semana Nacional do Ambiente, a Triunfo Econorte realizou ontem uma blitz educativa para conscientizar caminhoneiros e informá-los sobre o Gás de Efeito Estufa. A ação aconteceu na BR-369, em frente ao Parque de Exposições Governador Ney Braga (zona oeste de Londrina), em parceria com o Sest/Senat, CMTU Ambiental, Polícia Ambiental e Polícia Rodoviária Federal.
Caminhoneiros que passavam pelo local eram convidados por policiais rodoviários federais a pararem na blitz, onde funcionários da concessionária verificavam os níveis de emissão de fumaça negra e ruídos, entregavam panfletos com orientações sobre o meio ambiente e consumo consciente. Além disso, um ônibus serviu de auditório para uma palestra curta abordando a segurança no trânsito e o meio ambiente.
"A questão ambiental é uma preocupação bem grande para mim. A gente vê essa mudança no clima, com calor no inverno, frio no verão, uma grande quantidade de chuva", disse o caminhoneiro Sergio Luiz André Gonçalves, de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina). Ele criou a página Bom Motorista, no Facebook, onde publica vídeos educativos, dicas de direção defensiva e cuidados no trânsito.
Uma das preocupações de Sergio é em relação ao hábito bastante comum entre caminhoneiros de amarrar sacolas plásticas do lado de fora da caixa de comida. "Eles fazem as refeições e depois amarram a sacola com o lixo, mas aquele lixo pode provocar acidentes. Uma lata pode voar e atingir um outro veículo, e também poluir o meio ambiente."
O motorista Ernesto Ribeiro Duarte surpreendeu-se ao saber que a medição do nível de emissão de fumaça de seu Mercedes Benz 1959 estava alto demais. A medição indicou um índice de fumaça próximo de 80%. Nos caminhões mais novos, esse índice não passa de 20%. "Mandei revisar a bomba (de combustível) e os bicos e achei que estava normal, mas está saindo a fumaça preta ainda. Vou ter que pensar o que vou fazer, mas o serviço ainda está na garantia."
A emissão da fumaça negra em índices elevados é infração considerada grave, passível de multa no valor de R$ 127 e perda de cinco pontos na carteira de habilitação. Ontem, para sorte de Duarte, a blitz era apenas educativa.
"A receptividade dos caminhoneiros para atividades como essa é muito boa. Nosso intuito é tentar orientar os motoristas, mostrar estatísticas e também estamos realizando uma pesquisa para gerar estatística. Perguntamos sobre a frequência da troca de óleo, revisão mecânica, regulagem do motor e escapamento. Nossa preocupação é a emissão de gases", disse a gerente de Marketing da Triunfo Econorte, Cássia Romanow.

ATROPELAMENTOS
A soldado Camila Reina, da Polícia Ambiental, levou para o local da blitz uma jaguatirica e um tatu empalhados para alertar os motoristas sobre os riscos de atropelamentos de animais silvestres. Os animais foram mortos em rodovias da região. "No inverno, o risco de atropelamentos são maiores, principalmente envolvendo os felinos, que têm hábitos noturnos. Como escurece mais cedo, eles saem em horários nos quais o tráfego de veículos ainda é grande, por isso os atropelamentos nessa época são mais frequentes", explicou.
A policial estava acompanhada também de dois quatis cuja a mãe foi atropelada em uma rodovia da região. "Eles foram resgatados e cuidados por nós. Sobreviveram, mas perderam as características de animais silvestres e, provavelmente, não poderão mais ser inseridos no seu habitat natural."
O caminhoneiro Sergio Luiz André Gonçalves conhece bem o problema e alerta outros colegas sobre os riscos de acidentes envolvendo animais domésticos e silvestres. "O motorista vê um animal na pista e não tem a preocupação de diminuir a velocidade ou avisar os outros motoristas. A gente vê muitas mortes de animais nas estradas."

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