Warren NabucoEm filaCarretas de soja e farelo à espera de descarregamento: atraso causa prejuízos aos caminhoneirosCerca de 500 caminhoneiros do São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Norte do Paraná tiveram que enfrentar uma fila de várias horas para poder descarregar soja e farelo de soja ontem em Londrina. Da Cidade, a mercadoria vai para o porto de Paranaguá. O transporte entre Londrina e Paranaguá é feito pela rede ferroviária.
Como faltaram trens para o transporte, muitos tiveram de aguardar até dois dias para entregar a soja e o farelo. Os caminhões permaneceram estacionados nas ruas próximas à empresa de Armazenagem, Transporte e Transbordo (ATT), responsável por transferir a carga dos caminhões para os vagões de trem. A ATT fica próxima ao parque Ney Braga (zona oeste).
Sob os caminhões, aguardando em redes colocadas à sombra, os caminhoneiros reclamaram muito da demora. ‘‘É complicado esperar tanto em pleno pico de safra. A gente ganha uma porcentagem sobre o que transporta. E um dia parado pode significar até uma viagem a menos’’, explica o caminhoneiro João Silva, 45 anos, de Rinópolis (SP), há 15 anos na profissão. Caminhoneiro de ‘‘primeira viagem’’, José Antônio Mortean chegou de Alvorada do Sul no domingo às 11 horas e só conseguiu descarregar as 28 toneladas de farelo de soja no início da tarde de ontem.
Embora o acordo com as empresas transportadoras garanta o pagamento da ‘‘estadia’’ em casos de imprevistos, os caminhoneiros são unânimes em afirmar que o valor não cobre o prejuízo. Como o sol estava forte, a maioria deles preferiu deixar o caminhão estacionado e se proteger do calor em galpão próximo à empresa.
A ‘‘estadia’’ chegou a provocar um início de desentendimento entre os caminhoneiros e a ATT, ontem pela manhã. Mas o proprietário da empresa, Sérgio Bonocielle, garantiu que a situação foi solucionada sem maiores problemas - informação confirmada pelos caminhoneiros, que negaram ter havido tumulto. Segundo o empresário, a situação de ‘‘engarrafamento’’ só deve ser equacionada no final da semana.
Bonocielle alega que os mais de 6 mil quilômetros de ferrovias do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, antes pertencentes à Rede Ferroviária Federal, foram privatizados. O serviço foi comprado pelo grupo Ferrovia Sul Atlântico S/A mas o processo só foi concluído na sexta-feira à noite e a empresa só pôde começar a administrar a rede a partir de sábado. ‘‘Deverão ser necessários ainda alguns dias para colocar a casa em ordem’’, diz Bonocielle, que acredita em uma melhora sensível do serviço ferroviário a curto prazo.
Sem vagões para carregar, a ATT disponibilizou os seus armazéns para receber as cargas dos caminhões que continuavam chegando, mas a capacidade de 30 mil toneladas foi rapidamente exaurida. A ATT manteve a média de transbordo de 250 carretas por dia - cerca de sete mil toneladas -, mas com a falta de vagões, Bonocielle diz que foi impossível evitar a fila. ‘‘Em 10 anos de trabalho é a primeira vez que a situação toma estas proporções. Mas o motivo é plenamente justificável. É preciso ter paciência.’’
Até o meio dia de ontem, 100 carretas já haviam sido descarregadas. Porém, às 15 horas a previsão era de que os trabalhos iriam parar por pelo menos mais três horas, tempo que o trem com 108 vagões demoraria para chegar de Apucarana. O número de vagões disponibilizados era inferior ao necessário para atender a fila de caminhões que aguardavam. Muitos caminhoneiros iam ter de esperar até a manhã de hoje para descarregar.

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