Caminhoneiro troca a boléia pela política
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sábado, 10 de abril de 1999
Sid Sauer 
Há cerca de 15 anos, Janir Luiz Barbosa, o Branco, 48 anos, trabalhava quebrando pedras a marretadas em Campo Mourão. Acabou promovido a motorista de caminhão e, graças a um trabalho comunitário realizado na região do Jardim Aeroporto, foi uma das surpresas na eleição para vereador de 1996. Eleito com 688 votos, ele abandonou o caminhão e hoje vive só com o salário de vereador.
Não poderia atender as pessoas se continuasse tendo um outro emprego, justifica Branco, que é casado e tem quatro filhos. Segundo ele, os eleitores não querem um vereador que apenas participa das sessões. Isso é ser vereador de fachada, frisa. Ao abandonar o caminhão, Branco abriu mão de um salário mensal em torno de R$ 500,00, mas passou a ganhar R$ 1.590,00 na Câmara. No ano passado, ele votou a favor de aumento de 58% para os vereadores.
O ex-caminhoneiro diz que, na ponta do lápis, ganha menos hoje do que ganhava quando era motorista. Gasto o que não ganho ajudando as pessoas, conta. O maior gasto é na compra de medicamentos. Estou devendo R$ 350,00 na farmácia, e com gasolina. Mas acabo pagando até comida e botijão de gás para os outros, confessa. Às vezes nem tenho o dinheiro, mas as pessoas batem na casa da gente e me vejo obrigado a ajudar.
Branco diz que é chamado 24 horas por dia, incluindo as madrugadas. Cansei de sair às 3 horas da manhã para levar gente no posto de saúde, ressalta. Até o ano passado, todo mundo era transportado no Fusquinha 68 do vereador, o mesmo usado na campanha. Agora, no entanto, ele conta com o reforço de um Fiat Uno novo adquirido por consórcio. Já pagava as mensalidades bem antes de ser vereador, explica logo.
No trabalho junto à comunidade, Branco admite que existem abusos. Já foram me acordar de madrugada para arrumar um guincho e até para dar dinheiro para tentar subornar um policial rodoviário, conta. Isso eu não fiz, garante.


