Há cerca de 15 anos, Janir Luiz Barbosa, o ‘‘Branco’’, 48 anos, trabalhava quebrando pedras a marretadas em Campo Mourão. Acabou promovido a motorista de caminhão e, graças a um trabalho comunitário realizado na região do Jardim Aeroporto, foi uma das surpresas na eleição para vereador de 1996. Eleito com 688 votos, ele abandonou o caminhão e hoje vive só com o salário de vereador.
‘‘Não poderia atender as pessoas se continuasse tendo um outro emprego’’, justifica Branco, que é casado e tem quatro filhos. Segundo ele, os eleitores não querem um vereador que apenas participa das sessões. ‘‘Isso é ser vereador de fachada’’, frisa. Ao abandonar o caminhão, Branco abriu mão de um salário mensal em torno de R$ 500,00, mas passou a ganhar R$ 1.590,00 na Câmara. No ano passado, ele votou a favor de aumento de 58% para os vereadores.
O ex-caminhoneiro diz que, ‘‘na ponta do lápis’’, ganha menos hoje do que ganhava quando era motorista. ‘‘Gasto o que não ganho ajudando as pessoas’’, conta. O maior gasto é na compra de medicamentos. ‘‘Estou devendo R$ 350,00 na farmácia’’, e com gasolina. ‘‘Mas acabo pagando até comida e botijão de gás para os outros’’, confessa. ‘‘Às vezes nem tenho o dinheiro, mas as pessoas batem na casa da gente e me vejo obrigado a ajudar’’.
Branco diz que é chamado 24 horas por dia, incluindo as madrugadas. ‘‘Cansei de sair às 3 horas da manhã para levar gente no posto de saúde’’, ressalta. Até o ano passado, todo mundo era transportado no Fusquinha 68 do vereador, o mesmo usado na campanha. Agora, no entanto, ele conta com o ‘‘reforço’’ de um Fiat Uno novo adquirido por consórcio. ‘‘Já pagava as mensalidades bem antes de ser vereador’’, explica logo.
No trabalho junto à comunidade, Branco admite que existem abusos. ‘‘Já foram me acordar de madrugada para arrumar um guincho e até para dar dinheiro para tentar subornar um policial rodoviário’’, conta. ‘‘Isso eu não fiz’’, garante.

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