Maurício Borges
De Apucarana
O caminhoneiro José Caetano da Silva, 62 anos, de Apucarana, tem um hábito pouco comum. Há 20 anos ele toma choques elétricos que, garante, têm sido muito bom para sua saúde. A sensação de relaxamento e até de vigor físico levaram Silva a improvisar um equipamento que ele usa quase todos dias para transmitir a descarga elétrica para o corpo, através das mãos.
Apesar do resultado, aparentemente, bem-sucedido com o caminhoneiro, médicos e engenheiros elétricos não recomendam esse tipo de ‘‘terapia de choque’’ a ninguém. ‘‘As reações podem ser diferentes nas pessoas e existe até um sério risco de parada cardíaca, se a corrente elétrica for muito forte’’, alerta o cardiologista Isidoro Luiz Cerávolo Filho (ver texto nestaa página).
O caminhoneiro afirma que descobriu na década de 70 a resistência que tem para levar choques, quando trabalhava numa indústria de Apucarana. ‘‘Na época eu lidava com vários aparelhos e, constantemente, recebia descargas elétricas’’, disse. Silva contou que, uma vez, chegou a salvar a vida de um companheiro que estava preso a uma forte corrente elétrica.
Mesmo admitindo que nunca teve orientação médica para continuar usando descargas elétricas, Silva assegura que, com choques de 110 e até de 220 volts, mantém a vitalidade de um homem de 40 anos. ‘‘Não sinto dores musculares ou articulares e tenho muita resistência física’’, afirmou. Com esse método, Silva garante que conseguiu curar também um problema crônico de artrite gotosa.
Conforme relata Silva, depois do trabalho mais pesado, como a descarga de um caminhão, duas sessões de choques elétricos de dois minutos em cada mão acabam com a canseira e funcionam como uma espécie de calmante. ‘‘Tenho certeza de que a corrente elétrica atua de forma benéfica nos músculos e nervos, relaxando e evitando dores e contusões’’, avalia. Silva frisa que seu costume nada tem a ver com autoflagelo.
Mostrando o aparelho rústico que ele próprio criou para receber descargas elétricas, o caminhoneiro diz que resolveu divulgar na imprensa sua experiência pessoal para que alguém se interesse em aperfeiçoá-la. ‘‘Acho que seria muito útil, principalmente para atletas, contribuindo para relaxar a musculatura e evitar contusões’’, opina Silva.
O aparelho dele resume-se a uma pequena caixa de madeira, na qual instalou cinco bocais para lâmpadas, posicionadas de forma que servem de encaixe para os dedos da mão. Quando ligado na tomada, ele ‘‘controla’’ o volume da corrente transmitida pressionando mais ou menos os dedos no interior dos bocais.
A esposa e dois filhos de Silva, apesar de temerem pela sua segurança, dizem que, depois de 20 anos, já se acostumaram. Porém, nenhum deles arrisca-se a pôr a mão no aparelho inventado por Silva.

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