Uma das 12 pessoas presas suspeitas de terem participação nos assaltos e sequestros em série registrados em Ortigueira no dia 10 de agosto foi solto anteontem por ordem da Justiça. Tanto vítimas quanto policiais que tinham reconhecido por fotografia o motorista Júlio César Gasques de Oliveira, 21 anos, como um dos integrantes da quadrilha voltaram atrás no reconhecimento pessoal. Além disso, ele apresentou provas de que estaria em outro lugar no horário dos crimes. Nos 10 dias na prisão, o rapaz reclama que nunca foi tão humilhado, que perdeu o emprego e não sabe como vai honrar o financiamento de R$ 2,6 mil mensais de seu caminhão.
O advogado que defende o motorista, Hamilton Laertes, informou que a prisão temporária foi revogada por causa da não confirmação do reconhecimento fotográfico e também porque ele reuniu provas de que Oliveira estaria descarregando um caminhão em Londrina no mesmo horário em que os crimes eram praticados em Ortigueira. ''Ele saiu de São Paulo na madrugada de sexta e às 10h30 estava dentro da transportadora descarregando a carga, que demorou cerca de uma hora e meia'', destacou. Laertes alertou que é preciso ter mais cuidado com o reconhecimento por meio de fotos. ''O momento psicológico (logo após o crime) do reconhecimento é complicado. É preciso que se tome mais cuidado'', pediu. Mesmo solto, Oliveira continua como suspeito até que o Ministério Público conclua a análise das provas.
O delegado de Ortigueira, Ernandez Cezar Alves, reconheceu que a foto na qual Oliveira foi reconhecido ''não estava em boa qualidade e era de uma pessoa muito parecida com ele''. ''Foi uma situação única, porque os demais reconhecidos foram confirmados com os flagrantes de armas e dinheiro'', assegurou. O inquérito já foi concluído e remetido para a Justiça de Ortigueira.
O dia 12 de agosto seria um domingo especial para Oliveira, quando ele pretendia comemorar o primeiro Dia dos Pais como pai do pequeno João Victor, que tem pouco mais de um mês de vida, e junto da esposa Rosângela Maria. Mas na madrugada, teve a casa invadida por policiais que cumpriam um mandado de prisão expedido pela Justiça. O motivo: ele havia sido reconhecido como um dos assaltantes que dois dias antes tinham sequestrado todos os três policiais militares da cidade e o prefeito Geraldo Magela e roubado três bancos, dois postos de combustíveis e duas lojas em Ortigueira.
Foi levado para a 10 Subdivisão Policial em Londrina e apresentado como um dos 12 assaltantes presos. ''Foram 10 dias de humilhações, porque é horrível ser preso por uma coisa que você não fez'', desabafou. Na prisão, o caminhoneiro disse que não foi ouvido nem uma vez e que só retomou a liberdade graças ao trabalho do seu advogado. E agradeceu o tratamento dispensado pelo delegado de Ortigueira e pelo cabo Davi, ''dois policiais que honram a profissão''.
Por causa da prisão, o rapaz perdeu o emprego, os amigos se afastaram, teve a família discriminada. Para não perder o caminhão, sua ferramenta de trabalho, Oliveira pede a quem puder lhe dar uma chance que entre em contato pelo telefone (43) 3253-5963, em Cambé.

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