Sid Sauer
O caminhoneiro Nestor Volnei Machado, 42 anos, passou ontem por Campo Mourão na sua última viagem de volta para casa desde que começou, há sete anos, a pagar uma promessa. ‘‘Cumpri com a minha promessa e vou voltar à vida normal’’, disse o caminhoneiro, que desde 1992 trocou o caminhão por um carrinho onde carrega roupas e mantimentos e fez sete viagens, a pé, de Caxias do Sul (RS), onde mora, até Aparecida do Norte (SP).
Machado fez a promessa em dezembro de 1991, quando se envolveu num acidente em que morreram 21 pessoas - 19 passageiros de um ônibus, além da mulher dele e de um filho de 3 anos. A promessa foi feita enquanto ele estava preso nas ferragens e via a filha, na época com 7 anos, gritando de dor. ‘‘Prometi ir a pé até Aparecida até que se completassem os 27 mil quilômetros que o caminhão já tinha rodado se minha filha se salvasse’’.
Pelos cálculos de Machado, ele já andou 32 mil quilômetros nas sete vezes que foi até Aparecida do Norte. ‘‘Acabei fazendo outras promessas’’. Uma delas foi a de instalar grutas com imagens de Nossa Senhora Aparecida em algumas cidades. ‘‘Construí 12 grutas e ainda tenho uma imagem para mais uma’’. O motorista diz que ainda não sabe onde fazer a última gruta. ‘‘Fiz amizades em muitas cidades e todo mundo cobra a gruta’’, explica.
Ao contrário do que disse quando havia passado em Campo Mourão em janeiro, na última viagem a Aparecida, Machado não fala mais em voltar a trabalhar como motorista. ‘‘Não posso mais ser caminhoneiro’’, frisa. Ele também admite que pode se mudar para o Paraná. ‘‘Talvez eu fique em Cascavel’’. O caminhoneiro conta que vai aproveitar o carrinho para trabalhar recolhendo papel ou ferro-velho. ‘‘Dando para comer, para mim já está bom’’.

mockup