Caminho do Itupava será recuperado
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terça-feira, 21 de junho de 2005
Maigue Gheths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O histórico Caminho do Itupava, localizado na Serra do Mar e originado no início do século 19 a partir de trilhas indígenas existentes para servir de ligação entre Curitiba e Paranaguá, será finalmente recuperado. Antiga reivindicação de historiadores, arqueologistas e entidades do meio ambiente, o desenvolvimento de um projeto de recuperação foi viabilizado ontem, com a assinatura de convênios entre o Governo do Estado, por meio das secretarias de Cultura e do Meio Ambiente e as prefeituras de Morretes, no Litoral, e de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, municípios cortados pelo caminho.
O projeto envolverá recursos na ordem de R$ 485 mil, provenientes de convênio de cooperação financeira firmado entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e o banco alemão KFW para execução do Programa Pró-Atlântica. Todo projeto será coordenado pelos órgãos do Estado, cabendo às duas prefeituras a execução das obras, com a contratação de empresas locais, que trabalharão na recuperação do piso da trilha histórica.
Abandonado desde a inauguração da Estrada da Graciosa, em 1873, grande parte do caminho encontra-se hoje tomado pela Mata Atlântica. Além de obras no calçamento, a recuperação também exigirá a construção de pontes e passarelas sobre os seis rios e duas ferrovias que cortam o Caminho do Itupava. A restauração envolverá os 22 quilômetros do caminho na Serra do Mar, sendo 15 dentro da Mata Atlântica.
''O Caminho do Itupava foi uma das principais vias de ligação entre a Planície Litorânea e o Primeiro Planalto'', avalia a historiadora Cristina Kluppel, da Coordenação de Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura. Orginário de antigas trilhas indígenas, aproximadamente em 1830 o caminho recebeu calçamento, passando a ser usado durante todo o tempo do Império, e sendo definitivamente abandonado após a inauguração da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, em 1885.
Segundo Cristina, na época, todo transporte de mercadorias entre Paranaguá e Curitiba era feito pelo Caminho do Itupava; primeiro apenas por homens e, posteriormente, por mulas. O roteiro partia do Largo da Ordem, no Centro Histórico de Curitiba e seguia por terra até Morretes. De lá, as mercadorias continuavam pela via fluvial até Paranaguá.
O trajeto está localizado em uma área considerada pela Unesco como Reserva da Biosfera, composta principalmente por Mata Atlântica. Além disso, faz parte da Área de Tombamento da Serra do Mar e está cadastrada junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Arqueológico.
A trilha foi construída em 1625, antes mesmo da criação da Estrada da Graciosa, e a última melhoria realizada foi o calçamento com pedras feito no século 19.


