Caminho das pedras
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quarta-feira, 07 de junho de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Em vários bairros de Londrina, rua "apenas" com um buraco é artigo de luxo. Isso porque a situação nestas localidades está tão caótica, que as vias estão intransitáveis e a única coisa que se vê pelo caminho são pedras e pedregulhos soltos, causando dor de cabeça e prejuízo para a população. São ruas que, normalmente, não fazem parte do trajeto do transporte coletivo e as reivindicações ultrapassam o período de um ano.
"Queremos fazer um abaixo-assinado para ver se a prefeitura se dá conta de como está a situação aqui. Os carros passam e jogam pedra para dentro de casa", indigna-se o servidor aposentado Vicente André de Lima sobre a rua Primo Birelo, no conjunto Avelino Vieira, na zona oeste. No bairro, o cenário se repete por várias vias, o que trouxe outros transtornos após os buracos, entre eles bueiros entupidos com a malha asfáltica que se soltou. "Há um tempo fizeram o recape só de um lado e deixaram o resto do bairro assim", denuncia Sebastião Castilho.
No Ruy Virmond Carnascialli, na zona norte, a construção de alguns prédios no final da avenida da Perseverança é apontado pelos moradores como o causador das crateras espalhadas pelo trajeto. Segundo a dona de casa Dilce de Assis, a família já teve vários prejuízos por conta da falta de infraestrutura viária. "Meu filho tem carro e por diversas vezes já estragou pneus e até o escapamento. A realidade aqui está muito difícil. Estamos completamente abandonados", lamenta.

O cenário é tão problemático no bairro que os aborrecimentos não ficam restritos somente à parte econômica. "Minha esposa tem 75 anos e se machucou na rua há uns oito meses. Ela caiu em um dos buracos e torceu o tornozelo. Ficou um bom tempo com dificuldades para andar" conta Enok Soares de Araújo. Apesar do nome da avenida ser sugestivo, a população da localidade não acredita em melhoras. "Faz muito tempo que está assim. Este trecho é terrível", completa Araújo.
Com dez quadras intransitáveis, a rua Nicolau Barra Rosa, no final do conjunto Cafezal 2, na zona sul, é a "pedra no sapato" de motoristas e moradores. Conforme eles, as pessoas evitam passar pelo longo trecho de asfalto deteriorado, que também se transforma em um grande rio quando chove, já que os bueiros estão entupidos. "Parece que o poder público só se importa com os bairros onde moram ricos. Há mais de anos estamos solicitando o recape", afirma o motorista Antônio de Moraes.
No jardim Antares, na zona leste, a situação de algumas vias do bairro já dão a mostra do que vem pela frente. Em um dos quadriláteros da rua Jurema, que fica próxima de uma escola estadual e municipal, as crateras têm aproximadamente cinco metros. "Desde o ano passado estamos pedindo para a prefeitura arrumar e nada. Quando o tempo está seco traz muita sujeira para dentro de casa", reclama a aposentada Maria Sonoda. "Isso aqui é um descaso. Tem que passar com o carro bem devagar, senão fura o pneu. Muitos motoqueiros são pegos de surpresa e quase caem quando dirigem por essa rua", aponta Bruno Meneghelo.
Prefeitura não tem dinheiro para recape
Em contingenciamento de recursos desde o início de 2017, alegando um possível deficit de mais de R$ 141,5 milhões, caso isso não seja feito, a Prefeitura de Londrina não tem verba disponível para realizar o recape de ruas. O que vem sendo feito é o serviço de tapa-buracos, o que não resolve o problema dos moradores que sofrem com as vias intransitáveis.
De acordo com Fernando Tunouti, secretário de Obras e Pavimentação, não há um prazo para que o trabalho seja retomado. "Estamos com contingenciamento de recursos e, a princípio, as questões de recape estão paralisadas. Temos um levantamento dessas ruas (intransitáveis) e a ideia é priorizar as vias dos bairros com mais movimento e que fazem parte da rota de ônibus", justificou.
Sobre as ruas com o asfalto deteriorado e que não estão no trajeto do transporte coletivo, Tunouti afirmou que a possibilidade de receberem o recape, quando ele voltar a ser feito, é estendendo o trabalho no momento que alguma via do bairro estiver na programação. "Vamos tentar incluir na programação de recapamento. Claro que não quer dizer que isso nunca vai acontecer, mas a prioridade são sempre as avenidas", observou.
Como medida para tentar contornar o problema, a secretaria está buscando recursos junto aos governos estadual e federal. Porém, até o momento, nenhuma resposta foi obtida. Além disso, existe a perspectiva de um remanejamento orçamentário dentro do município para que a demanda do recapeamento seja atendido.
Com uma estimativa de que 60% da malha asfáltica de Londrina estejam necessitando de algum tipo de manutenção, também tem a expectativa de que a Câmara Municipal aprove a participação de Londrina no Cindepar (Consórcio Público Intermunicipal de Inovação e Desenvolvimento do Estado do Paraná). "Caso seja autorizado o ingresso do município, isso virá para somar. Será um reforço para poder ajudar a trabalhar com o asfalto da cidade, o que não vai fazer com que deixemos de nos empenhar com nossas usinas", acredita. (P.M.)


