Mais um desastre ecológico atingiu a Serra do Mar ontem no início da manhã. Um caminhão tombou, depois de bater em outro, e despejou produtos químicos nos rios Santa Clara e São João, na região de Guaratuba, no litoral do Paraná. Do tanque do caminhão vazaram 9 mil litros de ácido sulfônico, 2 mil litros de soda cáustica, 2 mil litros de sulfato de amônia e 2,4 mil quilos de ácido clorídrico sólido. O acidente foi às 8h30, no quilômetro 690 da BR-376, a 15 quilômetros da divisa com Santa Catarina.
Os produtos químicos vazaram na pista e no acostamento até alcançarem um córrego, que levou o material para os rios Santa Clara e São João. De acordo com a Defesa Civil, não é possível montar barreiras de contenção, como em casos de vazamento de óleo, por exemplo. Até o final da tarde de ontem, a espuma formada pelo ácido sulfônico já tinha atingido seis quilômetros do Rio São João. A preocupação é que o produto chegue até a Baía de Guaratuba.
Segundo o superintendente da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, Hamilton Bonatto, o ácido sulfônico é biodegradável e não oferece riscos ao meio ambiente. Mas os outros produtos que chegaram até os rios podem causar queimaduras na pele e nos olhos. A inalação dele também é perigosa. ‘‘Infelizmente, toda a vegetação que entrar em contato com esses produtos ficará queimada’’, disse Bonatto. Como o produto não pode ser contido através de barreiras, só a chuva e a correnteza podem ajudar na diluição. ‘‘Temos esperança de que a própria natureza consiga se recuperar dentro dos próximos dias’’, afirmou.
A empresa responsável pela carga tóxica, Bioserv Produtos Químicos, de Londrina, será autuada pelos prejuízos ao meio ambiente. O valor da multa será estipulado com base nos laudos que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) está providenciando. Técnicos do IAP recolheram amostras de água e estão monitorando os rios. Até o início da noite de ontem nenhum peixe morto tinha sido encontrado.
Funcionários da Prefeitura de Guaratuba estão alertando a população para que não utilize a água do rio. Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Carlos Luiz Natalino, a primeira região afetada é a localidade rural de Pedra Branca, onde vivem cerca de 1,5 mil pessoas que utilizam a água do Rio São João para beber, cozinhar e para o banho. A prefeitura mandou cerca de 40 pessoas para alertar a população e ajudar na retirada do material. ‘‘É tudo no improviso. Como nosso município não tem indústrias químicas, não está preparado para esses acidentes. Mas temos que ajudar, pois não há pessoas suficientes trabalhando no local’’, afirmou.
De acordo com o major Sérgio Gonçalves de Oliveira, da Defesa Civil, até o final da tarde de ontem cerca de 50 pessoas estavam trabalhando no local do acidente, entre bombeiros, policiais rodoviários e florestais, técnicos do IAP, funcionários das prefeituras de Guaratuba e Garuva (SC), bem como da Bioserv. O trabalho de retirada dos produtos químicos que ficaram espalhados na pista e no acostamento não tem prazo para terminar.

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