Maurício Borges
de Apucarana
Os cerca de 8 mil habitantes da cidade de Jardim Alegre (120 km ao sul de Apucarana) estão passando por sérias dificuldades com as precárias condições do sistema de abastecimento de água. A cidade está sendo socorrida por dois caminhões-pipa, que transportam diariamente uma média de 200 metros cúbicos de água do sistema de captação de Ivaiporã.
Além dos incômodos causados pela falta de água, os moradores de Jardim Alegre também estão criticando a Sanepar pelo valor das tarifas. De posse de contas de três ou quatro meses atrás, vários consumidores comparam com as de dezembro e janeiro e não entendem o porquê dos valores bem mais altos. Em alguns casos, a tarifa chegou a subir de R$ 10,00 para R$ 50,00 ou até R$ 80,00.
Um dos mais exaltados críticos da Sanepar no Município é o vereador Benedito de Jesus Batistetti (PDT), o ‘‘Nenezão’’, presidente da Câmara Municipal, que já organizou duas reuniões com consumidores, para debater o problema e exigir providências da empresa.
Segundo ele, a situação é absurda. ‘‘Ficamos o dia inteiro de torneiras abertas esperando a água que não vem, mas as faturas da empresa estão subindo em até 400% de forma inexplicável’’, denuncia ele.
Nos bairros mais altos da cidade, conforme relata o vereador, mesmo com o socorro dos caminhões-pipa que vêm de Ivaiporã, a água não chega. ‘‘Estamos vivendo um problema gravíssimo e não existe perspectiva de solução a curto prazo’’, assinala Batistetti.
O comerciante Edilson Benedito Rocha é dos consumidores que enfrenta transtornos diários com a falta de água. Ele confirma que fica com torneiras abertas e baldes e outros recipientes de prontidão, ‘‘mas água que é bom não vem’’.
Rocha, que é dono de um açougue, também manifesta-se revoltado com a tarifa da Sanepar, lembrando que pagava em média R$ 8 por mês e agora a conta saltou para R$ 40.
Para Batistetti essa situação não pode perdurar. ‘‘É preciso que o Estado, através da Sanepar, resolva isso de uma vez por todas, porque não dá mais para tolerar esse caos, num serviço de primeira necessidade para a população’’, crítica o vereador.
O agente administrativo João Antônio Pedro, do escritório regional da Sanepar em Ivaiporã, explica que a prolongada estiagem, ocorrida no segundo semestre de 99, fez baixar bastante a vazão dos três poços artesianos utilizados no abastecimento de Jardim Alegre.
Ele revela que a Sanepar contratou recentemente uma empresa para tentar aprofundar mais os poços e atingir o Aquífero Botucatu, mas a sonda chegou a 384 metros de profundidade, sem obter êxito.
‘‘Agora, através da regional de Maringá, foi licitado e contratado o serviço de uma nova empresa, com equipamento para atingir até 500 metros de profundidade’’, anuncia João Antônio Pedro, acrescentando que os serviços serão iniciados nos próximos dias. Ele admite ainda que o reforço dos caminhões-pipa é apenas uma medida paliativa. Quanto às reclamações referentes ao valor das tarifas, o agente administrativo diz que a Sanepar está analisando caso a caso.

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