O Ribeirão Jacutinga, na zona norte de Londrina, foi contaminado ontem com borra de soja, um sub-produto do grão utilizado na indústria de sabão. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) foi comunicado pela Delegacia de Cambé e autuou Mário Lourenço por crime ambiental. Lourenço tem 20 dias para apresentar sua defesa. De acordo com o IAP ele pode ser multado em R$ 10 mil.
O IAP fez a coleta de material para saber o grau de contaminação. Lourenço carregou o caminhão em Goiás e descarregou anteontem em Cianorte (PR). Na manhã de ontem ele lavou o resíduo do produto, que estava em seu caminhão, na oficina de sua propriedade, localizada na Rodovia Celso Garcia Cid, próxima ao Km 85, ao lado da Braswey S/A Indústria e Comércio, em Cambé.
Segundo o delegado de Cambé, Antônio do Carmo, como o terreno é em declive, a borra percorreu um percurso de um quilômetro pelo meio-fio e o asfalto da rodovia, caindo em uma galeria pluvial, que deságua em uma nascente que vai dar no Jacutinga. Segundo o fiscal do IAP, Deodoro Kuwabara, comerciantes da região sentiram um odor forte e reclamaram para a Braswey, indústria que trabalha com soja. A indústria verificou que o problema não era provocado por ela, mas sim pelo caminhão de Lourenço na oficina ao lado.
Segundo o delegado Antônio do Carmo e o fiscal do IAP um desastre maior pode ter sido evitado pela ação da Braswey que disponibilizou uma equipe de funcionários para fazer a contenção da borra desde a oficina até a entrada da galeria, numa extensão de 800 metros. A Folha entrou em contato com a indústria, mas a direção não quis falar a respeito, deixando claro apenas que não era responsável pelo acidente.
Os fiscais do IAP fizeram a coleta de material para verificar o grau de contaminação. Segundo o fiscal Kuwabara, o resultado da análise deve ficar pronto na próxima sexta-feira.

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