Caminhão descarrega entulhos em fundo de vale e é autuado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 1997
Josiane Schulz Londrina 
O fundo de vale do conjunto habitacional Semíramis (zona norte) foi palco de uma cena bizarra ontem: de um lado, a pá-carregadeira da Prefeitura retirava o entulho que havia sido jogado ali na manhã de terça-feira por caminhões da própria Prefeitura; de outro, um caminhão descarregava entulhos de construção no local. Os fundos de vale - áreas de preservação permanente - continuam sendo utilizados clandestinamente como depósito de lixo.
Vários moradores do bairro afirmaram ver frequentemente caminhões despejando entulhos. As condições do fundo de vale do Semíramis são realmente precárias. Têm montes de lixo espalhados por todo o local. Desde garrafas, galhos e madeira, até restos de construções e móveis podem ser encontrados. E a única placa informando que é proibido jogar lixo na área é quase imperceptível.
Na terça-feira, cinco caminhões que estavam a serviço da Secretaria de Urbanismo, Obras e Viação (Suov) despejaram no fundo de vale do Semíramis o entulho retirado da estrada que liga os conjuntos Farid Libos e Mister Thomas. O secretário de Obras, José de Oliveira Righi, justificou o fato como desinformação do funcionário encarregado pelo serviço. Ontem, o entulho foi retirado.
Há poucos metros do local onde os funcionários da Prefeitura trabalhavam, o caminhão Alpha Romeo placas AFK 4082 estava sendo descarregado: mais lixo no fundo de vale. Os três homens que estavam no caminhão disseram que não sabiam que era proibido jogar entulho naquele local. Não vimos nenhuma placa e achamos que era um lixão, afirmou o autônomo Antônio Noveli, alegando não saber o nome do dono do caminhão.
O presidente da AMA, Nelson Kohatsu, esteve no local e acabou autuando o caminhão. Eles serão obrigados a retirar imediatamente o entulho. Apesar da autuação, o lixo continuou sendo jogado e foi necessária a presença da polícia para que os trabalhadores se convencessem que o entulho teria que ser recarregado.
O secretário afirmou estar com dificuldades para resolver o problema, que atinge a maioria dos fundos de vale da Cidade. Faltam recursos, estrutura e equipamentos. Não temos condições de atender toda a Cidade. Kohatsu informou que no próximo mês a AMA vai iniciar uma campanha de conscientização, envolvendo escolas e comunidades. Não existe solução a curto prazo.


