Um caminhão carregado com sete toneladas de ração para frango atolou sobre uma ponte na Estrada do Bule, que liga o Patrimônio Regina, Zona Sul de Londrina, a Arapongas (37 km a oeste de Londrina), na noite de anteontem. O incidente não deixou feridos, mas causou transtornos ao motorista Aldeir da Silva, que transportava a carga até uma granja próxima.
Segundo moradores, na tarde de domingo a Prefeitura assentou parte da terra da estrada com uma máquina, mas não jogou moledo. Horas depois, a chuva que caiu em Londrina e região transformou tudo num barro só. ''O caminhão atolou a três quilômetros de onde a prefeitura tinha passado a máquina. Ele veio deslizando. Um moço de um sítio vizinho me acompanhou com um traçado, mas quando chegamos na ponte, a traseira esquerda do caminhão ficou presa e nem o traçado ajudou'', contou Silva.
O vizinho era o filho do avicultor Eloi Ferri, nascido e criado na Estrada do Bule. Conforme ele, por volta das 21 horas, o motorista chegou à propriedade da família em busca de ajuda, mas como o trator era muito pequeno, a dupla não conseguiu desatolar o veículo.
Silva trancou o caminhão e seguiu com o filho de 12 anos até a entrada asfaltada do Patrimônio Regina. ''Deu medo, a gente foi andando a pé, no barro, até chegar no asfalto. Liguei para o meu primo vir me buscar porque não tinha coberta nem comida. Fui chegar em casa depois das 11 horas da noite'', desabafou Silva, que mora em Rolândia.
Ontem pela manhã, a empresa mandou outro caminhão até o local, para retirar a ração do caminhão atolado e facilitar o resgate do veículo. Outros dois caminhões que carregavam milho também atolaram num outro trecho da estrada, como comentou o avicultor Ronaldo Teixeira Góes, vizinho de Ferri.
''Normalmente os caminhões cortam caminho por esta estrada para evitar o pedágio e porque é mais perto, já que eles economizam 20 quilômetros até Arapongas. Mas faz três mandatos de prefeito que a estrada está abandonada'', assinalou Góes, que já teve seu caminhão atolado e sempre ajuda os caminhoneiros a retirar os veículos com seu trator.
''Hoje as crianças ficaram sem aula porque a Kombi da prefeitura não conseguiu subir. Imagina se alguma família tem alguém passando mal em casa. Não tem como sair de carro, só a pé'', lamentou o avicultor, avaliando que seriam necessário dois dias de sol forte para secar a lama deixada pela chuva.
O secretário municipal de Agricultura de Londrina, Nilson Ladeia, confirmou que a prefeitura executou trabalhos recentemente na estrada e que falta moledo para aplicar no local. ''Nós executamos um serviço de nivelamento naquele trecho, visando o escoamento da safra agrícola. Sobre o moledo, nós precisamos contar com a parceria da comunidade, pois não compramos esse material, fazemos uma espécie de troca. Executamos o serviço na estrada que está dentro de uma propriedade particular e pedimos que o pessoal colabore com o moledo. Porém, aquela região da Estrada do Bule tem pouco moledo e cascalho. Estamos procurando um local para retirar moledo. Tirávamos da Fazenda Refúgio, mas estamos impedidos de fazer isso por questões ambientais'', explicou. (Colaborou Wilhan Santin)

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