‘‘Meu marido disse que caminhão atolado no barro é normal, mas em asfalto nunca viu. Eu também não.’’ A declaração é da dona de casa Marli de Oliveira Marques, 46 anos. Ela é casada com o caminhoneiro José Victor Marques, 51, que estacionou a carreta com a qual trabalha em frente a sua casa e a viu afundar no asfalto. O episódio aconteceu naRua João Pereira da Silva Júnior, no Conjunto Giovani Lunardelli (zona leste de Londrina).
De acordo com Marli, na noite de sábado José Victor chegou com a carreta carregada de milho e parou o caminhão em frente à casa. No domingo pela manhã, percebeu que a jamanta estava pendendo para a direita. Os eixos chegaram a tocar o chão. ‘‘Foi um desespero. Meu marido e os filhos trabalhamos como loucos, colocando escoras para impedir que a carreta tombasse’’, conta Marli.
Para a dona de casa, o asfalto do bairro, recém-construído, é muito fraco e, além de não resistir ao peso de caminhões carregados, apresenta sinais de que não vai resistir às chuvas por muito tempo. ‘‘O asfalto foi feito às pressas. Colocaram apenas uma pequena camada de pedras e de piche. Aliás, menos piche do que pedra, que já começam a se soltar.’’
Marli reclama também do preço que terá que pagar pelo melhoramento da rua onde mora. ‘‘Esse asfalto é muito ruim. Mas ainda querem que a gente pague por ele’’, desabafa, acrescentando que o comentário no conjunto é de que cada lote vai pagar pelo menos R$ 1 mil pelo serviço. ‘‘Se a Prefeitura cobrar tudo isso, não vamos ter condições de pagar. Assim como a maioria dos moradores do bairro.’’
Para o secretário de Obras e presidente do Serviço de Pavimentação de Londrina (Pavilon), José Righi de Oliveira, o afundamento do asfalto aconteceu porque a carreta apresentava excesso de peso e o motorista subiu no meio-fio. ‘‘O caminhão estava com excesso de pelo menos oito toneladas e o motorista subiu na sargeta, provocando inclusive infiltração de água da chuva. Por isso, o asfalto cedeu e o caminhão afundou.’’
Sobre o valor a ser cobrado pelo asfaltamento do bairro, o secretário explicou que o custo total da obra é dividido pela metragem de cada lote. Righi não soube precisar quanto sairá para cada morador. Mas assegura que os subsídios oferecidos pela Prefeitura garantem um valor suportável por todos.

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