Caminhão atola em asfalto na zona leste
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Áureo Nogueira 
Meu marido disse que caminhão atolado no barro é normal, mas em asfalto nunca viu. Eu também não. A declaração é da dona de casa Marli de Oliveira Marques, 46 anos. Ela é casada com o caminhoneiro José Victor Marques, 51, que estacionou a carreta com a qual trabalha em frente a sua casa e a viu afundar no asfalto. O episódio aconteceu naRua João Pereira da Silva Júnior, no Conjunto Giovani Lunardelli (zona leste de Londrina).
De acordo com Marli, na noite de sábado José Victor chegou com a carreta carregada de milho e parou o caminhão em frente à casa. No domingo pela manhã, percebeu que a jamanta estava pendendo para a direita. Os eixos chegaram a tocar o chão. Foi um desespero. Meu marido e os filhos trabalhamos como loucos, colocando escoras para impedir que a carreta tombasse, conta Marli.
Para a dona de casa, o asfalto do bairro, recém-construído, é muito fraco e, além de não resistir ao peso de caminhões carregados, apresenta sinais de que não vai resistir às chuvas por muito tempo. O asfalto foi feito às pressas. Colocaram apenas uma pequena camada de pedras e de piche. Aliás, menos piche do que pedra, que já começam a se soltar.
Marli reclama também do preço que terá que pagar pelo melhoramento da rua onde mora. Esse asfalto é muito ruim. Mas ainda querem que a gente pague por ele, desabafa, acrescentando que o comentário no conjunto é de que cada lote vai pagar pelo menos R$ 1 mil pelo serviço. Se a Prefeitura cobrar tudo isso, não vamos ter condições de pagar. Assim como a maioria dos moradores do bairro.
Para o secretário de Obras e presidente do Serviço de Pavimentação de Londrina (Pavilon), José Righi de Oliveira, o afundamento do asfalto aconteceu porque a carreta apresentava excesso de peso e o motorista subiu no meio-fio. O caminhão estava com excesso de pelo menos oito toneladas e o motorista subiu na sargeta, provocando inclusive infiltração de água da chuva. Por isso, o asfalto cedeu e o caminhão afundou.
Sobre o valor a ser cobrado pelo asfaltamento do bairro, o secretário explicou que o custo total da obra é dividido pela metragem de cada lote. Righi não soube precisar quanto sairá para cada morador. Mas assegura que os subsídios oferecidos pela Prefeitura garantem um valor suportável por todos.


