Caminhando até o trabalho
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a prática de uma atividade física aeróbica durante, no mínimo, 30 minutos, cinco vezes por semana. Para se ter uma ideia, é considerada uma atividade física mínima caminhar 10 mil passos por dia. Quem não faz ao menos o mínimo recomendado pode ser considerado sedentário. Uma ideia simples e saudável, defendida pelo cirurgião ortopedista e traumatologista Fabio Ferraz do Amaral Ravaglia, é uma alternativa para quem acredita que não tem tempo para se exercitar: ir a pé para o trabalho.
Ravaglia, presidente do Instituto Ortopedia & Saúde (IOS), de São Paulo, explica que apenas seis minutos de caminhada para o trabalho já podem melhorar a capacidade cardiopulmonar; e mais 30 minutos, que podem ser divididos 15 minutos pela manhã e mais 15 à tarde, são suficientes para a saúde do coração.
''São inúmeras as razões para se adotar a caminhada para o trabalho. A primeira é que caminhar é menos estressante do que enfrentar o trânsito dirigindo e procurando lugar para estacionar, ou o transporte público, lotado'', ressalta o especialsita. Além disso, ele observa que caminhar ajuda a acalmar, inclusive após um dia difícil de trabalho. ''Ao caminhar à luz do dia, você aproveita o sol para dar a si mesmo uma dose de vitamina D, importante para a fixação do cálcio no organismo. Ao esticar as pernas e movimentá-las, o seu metabolismo já começa a queimar calorias.''
O ortopedista explica que é possível caminhar em ritmos e intensidades diferentes, de acordo com as possibilidades e circunstâncias. ''Quando o corpo está acostumado à atividade física, é válido incorporar outras práticas, mantendo ou não a caminhada'', inform. ''O importante é não ficar sedentário, que é um agravante para muitos problemas de saúde (obesidade, aumento do colesterol, hipertensão, perda de massa óssea etc.)''
A professora de Português do Instituto de Educação Estadual de Londrina (Ieel), Tereza de Fátima Rodrigues de Carvalho, de 52 anos, é uma das adeptas da caminhada até o trabalho. O hábito, conta, foi adotado há dez anos, quando ainda residia na Vila Casoni (região central). ''Naquela época eu lecionava no Colégio Estadual Vicente Rijo e levava entre 50 minutos e uma hora para percorrer o trecho'', relembrou.
Atualmente, Tereza reside perto da Concha Acústica e até ir e voltar do Ieel leva cerca de 40 minutos. Ela também faz isso uma vez por semana durante a noite, quando leciona no Colégio Estadual Nossa Senhora de Lourdes, na Avenida São João (zona leste). Para isso gasta uma hora no total, também somando o tempo entre a ida e a volta. ''Isso ajuda muito a saúde. Basta dizer que, apesar da minha idade, eu não tenho problema algum de saúde. Minha pressão arterial está controlada e isso é difícil entre pessoas com a mesma idade que a minha'', afirmou.
Início
O ortopedista Fabio Ravaglia orienta um início progressivo para quem não está acostumado a andar, partindo de trechos curtos. ''Ande alguns metros a mais, até a outra parada de ônibus, antes de embarcar, ou desça uma parada antes da de costume. Vá aumentando o percurso gradativamente, um pouco por dia ou por semana, de acordo com o seu condicionamento físico'', orientou.
Maria Izabel da Silva, de 38 anos, trabalha como recuperadora de crédito e percorre nos dias úteis o trajeto entre o Hospital Universitário e o centro para realizar uma atividade física. ''No início sentia muitas dores, mas depois fui acostumando'', revelou. Atualmente, ela realiza o percurso de ida em 30 minutos. ''É uma maneira de eu entrar em forma, pois se eu resolver voltar para a casa e só depois ir à academia, certamente acabaria desistindo'', declarou.


