Caminhada reúne duas mil crianças
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Josoé de CarvalhoManifestaçãoCaminhada realizada ontem à tarde: crianças pobres e ricas se uniram para um ato a favor da vida Sem assistência à saúde. Sem educação. Sem teto. Sem família. O número de crianças que vive uma realidade de miséria, fome e exploração é grande em Londrina, e foi denunciado ontem durante a 4ª Caminhada a Serviço da Vida. Onde elas estão? Claudionor Cerol, da Pastoral do Menor, responde: dormindo nas ruas, vendendo quinquilharias e doces nos sinaleiros; distribuindo panfletos; e nas favelas e núcleos da Cidade.
Mais de duas mil crianças de escolas públicas e particulares, entidades, integrantes de projetos sociais da Prefeitura e Conselho Tutelar participaram do movimento, organizado pela Pastoral do Menor. A caminhada começou na praça Rocha Pombo (centro) por volta das 15h30. Portando cartazes e ao som de músicas, as crianças entoavam frases em favor da vida e por seus direitos. Subiram pela avenida São Paulo, avenida Paraná e seguiram pelo Calçadão até o coreto, onde centralizaram as atividades - apresentações e discursos.
A manifestação teve como tema Libertar a Criança: Promover a Vida. Os objetivos principais foram sensibilizar a população para o problema e exigir a realização periódica de um diagnóstico da realidade das crianças e adolescentes do município. Sabemos que são muitas as crianças abandonadas, sem qualquer assistência, porque trabalhamos diretamente com esta população. Mas precisamos de um diagnóstico que indique as ações prioritárias , defende Cerol.
Projeto de lei tornando obrigatória a realização de um diagnóstico das situação das crianças e adolescentes do município a cada quatro anos vai chegar à Câmara, assinado pela vereadora Elza Correia (sem partido). Durante o ato público, autoridades municipais e representantes das entidades que trabalham com o menor assinaram termo de compromisso pela aprovação da lei.
Assinaram o documento o vice-prefeito Alex Canziani (PTB); a secretária de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento; o diretor do Fórum, Dimas Ortêncio de Mello; e a promotora da Vara da Infância e da Juventude, Solange Vicentin. Este diagnóstico é prioridade para o município e será realizado, garantiu Canziani.
O censo deverá seguir os moldes do realizado recentemente no conjunto Novo Amparo (zona leste), em parceria entre a Pastoral do Menor e Secretaria de Ação Social. Um programa especial foi montado pela Pastoral e Secretaria para ocupar os menores em atividades pedagógicas, incentivá-los e prepará-los para o retorno à escola no próximo ano. O documento com os resultados foi encaminhado aos Conselhos Municipais de Assistência Social e da Criança e do Adolescente. As entidades solicitaram que o atendimento às necessidades dos bairros - mais vagas na escola e creche - sejam prioridade do poder público.


