Caminhada pede fim da violência
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Curitiba 
Uma caminhada pela paz hoje a partir das 10 horas, no Centro de Curitiba, pretende reunir parentes de vítimas de violência policial e a sociedade em uma manifestação em prol da vida.
Promovida pelo Fórum Contra a Violência, que reúne essas famílias e tem apoio da Anistia Internacional e do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos, a Caminhada Pela Vida não é, no entanto, um protesto contra a polícia. Cinco idéias orientam a manifestação: fim da violência, fim da impunidade, justiça igual para todos, melhoria no sistema penitenciário e polícia mais preparada.
Não adianta deixar as soluções nas mãos do governo. É preciso que a sociedade faça sua parte, dando sugestões para combater a violência, diz o diretor regional da Anistia Internacional, Paulo Pedron. A iniciativa vem se somar aos esforços da Secretaria de Estado da Segurança Pública, que na semana passada lançou uma campanha pelo desarmamento da população.
A caminhada começa na Praça Santos Andrade e atravessa o Calçadão da Rua XV até a Boca Maldita, onde haverá um ato ecumênico realizado pelo padre Dácio, da Pastoral da Criança. Durante todo o trajeto, um carro de som vai tocar Herdeiros do Futuro, de Toquinho, e Aonde Vai, de Gabriel O Pensador, que fala sobre a morte de um jovem.
Entre os participantes, estará Elizabeth Zanella, mãe do estudante Rafael Zanella, morto em maio por um informante da polícia durante uma blitz irregular. Precisamos fazer ver que essas mortes não são mais casos isolados como a polícia diz, afirma Elizabeth.
Paulo Pedron, da Anistia, resume os objetivos da caminhada com uma frase do fundador da entidade, Peter Beneson: Melhor acender uma vela do que ficar amaldiçoando a escuridão.


