'Caminhada' pede atenção para APAEs
Da Redação
Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs) e outras entidades que atendem portadores de deficiências de cerca de dois mil municípios brasileiros ocuparam ontem as principais ruas e áreas públicas de cada uma das localidades para a Caminhada pela Cidadania. A manifestação fez parte da Semana Nacional do Excepcional, que começou no último dia 21 e será encerrado no sábado.
A manifestação foi para tentar sensibilizar o governo federal e os políticos para a necessidade de mais atenção para as pessoas deficientes, que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) chega a 10% da população do mundo. Por esta estimativa, no Brasil existiram 16 milhões de deficientes, dos quais pelo menos 50% não possuem nenhum tipo de assistência especial.
No Paraná, onde 300 APAEs e escolas especiais atendem cerca de 30 mil excepcionais, segundo a Federação das APAEs do Estado, as principais concentrações de pais, portadores de deficiências e profissionais que atuam em entidades e escolas especiais ocorreram em Curitiba, Londrina, Cascavel e Maringá.
Em Curitiba, onde 66 escolas especiais atendem 2,4 mil alunos, pais, portadores de deficiências e representantes das instituições foram ao Palácio Iguaçu, pela manhã, onde entregaram um documento com suas reivindicações ao chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas. A programação prevista pela Assessoria Especial de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência da prefeitura para a semana prevê para hoje dança no Studio 1250 e mostra de arte no Centro de Reabilitação da Audição, na Rua José Veríssimo, 220, no Tarumã.
Em Londrina, os dirigentes de entidades assistenciais, pais de alunos e funcionários da APAE de Londrina, Centenário do Sul e do PSDown caminharam juntos com adolescentes portadores de deficiências no Calçadão. Os participantes desfilaram com cartazes com frases como cidadania é um direito, eu quero sim.
Segundo a presidente do Fórum Permanente das Entidades de Assistência Social da Criança e do Adolescente de Londrina, Itamar Kedma Helene Alves, a entidade recebeu um comunicado do governo federal de que haverá mudanças nos critérios de repasse de verbas para os Estados a partir de janeiro de 2000. O Paraná está entre os que terão os recursos diminuídos em dois terços. De R$ 31.760.929,00 por mês, a verba passará para R$ 12.741.267,00, repassou Itamar, que também é membro do Conselho Municipal de Assistência e presidente da Creche Menino Jesus, da Vila Izabel.
Em Maringá, a caminhada foi substituída por uma carreata de oito ônibus e dezenas de carros com faixas colocadas nas laterais. As duas unidades da APAE na cidade atendem 580 alunos e acumulam uma dívida de mais de R$ 25 mil por causa do atraso no repasse de recursos federais. As despesas das duas unidades giram em torno de R$ 57 mil por mês, mas elas só recebem R$ 25 mil do governo.
De acordo com o presidente da APAE de Maringá, Adirson Rossi, os recursos federais que deveriam ser repassados para a entidade, estão retidos devido a uma dívida de R$ 309 mil que a prefeitura tem com o INSS. Para liberar o dinheiro, o governo federal pede a Certidão Negativa de Débito do Município .
Em Cascavel, a manifestação foi em toda a faixa do Calçadão, com cerca de 300 pessoas, muitas delas carregadas por familiares e outras em cadeiras de roda. Faixas e cartazes relatavam a insatisfação com o tratamento que está sendo dispensado às APAEs. A entidade local, que mantém duas escolas especiais, emprega cerca de 200 pessoas e atende aproximdamente 600 excepcionais.
A caminhada foi encerrada com concentração em frente da agência central do Banco do Brasil, onde houve apresentação do coral formado pelos portadores de deficiências. Participaram Lucinéia Parra (Maringá), Maigue Gueths (Curitiba), Paulo Pegoraro (Cascavel) e Silvana Leão (Londrina).Pais de alunos, portadores de deficiências e profissionais de entidades especiais protestaram ontem nas ruas
Paulo WolfgangLONDRINAManifestação realizada no Calçadão reuniu cerca de 100 pessoasEdson MazzettoCASCAVELEntidade mantém duas escolas especiais com cerca de 600 alunosMarcos NegriniMARINGÁÔnibus e carros com faixas nas laterais substituiram caminhadaJosé SuassunaCURITIBAProgramação da Semana do Excepcional levou alunos ao cinema





