Caminhada marca Dia da Pessoa com Deficiência
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terça-feira, 04 de dezembro de 2007
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''Acessibilidade Já''. Pelo segundo ano consecutivo foi esse o mote escolhido para ser o tema do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemorado ontem, em Curitiba, com uma caminhada pelo calçadão da Rua XV de Novembro, que contou com a participação de cerca de 1.500 pessoas, ligadas a 25 entidades e escolas especiais.
Para as entidades e portadores de necessidades especiais, a insistência no tema é justificada. ''Nos últimos anos, a acessibilidade tem avançado bastante, mas ainda é problema. Nossa luta é pelo acesso em todos os níveis, pelo emprego, informação, tecnologias, pela queda das barreiras arquitetônicas e atitudinais, ou seja, das atitudes da sociedade'', explica Jaime de Oliveira, deficiente visual e membro do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, um dos organizadores da manifestação.
Lucia Czelusniak, mãe de Evandro, de 25 anos, que ficou paralítico aos dois anos de idade, concorda que as dificuldades, hoje, são menores, mas ainda persistem. ''Dizem que 10% dos ônibus são adaptados, mas sempre há uma desculpa, ou está estragado, a porta está fechada, o cobrador não tem a chave do elevador, tem tubos que não têm rampa, o ligeirinho só tem escada'', enumera. Em contrapartida, segundo ela, a maioria das pessoas é solidária e ajuda quando necessário.
O ideal, segundo Rubens Leonart, da Assessoria Especial de Assistência à Pessoa com Deficiência da Prefeitura Municipal de Curitiba, outra entidade organizadora da manifestação, seria o acesso incondicional, permitindo que o deficiente pudesse transitar pela cidade sem precisar de ajuda. ''O deficiente quer ter autonomia, ir a todos os lugares sem ser carregado'', diz. Um exemplo dessa dependência são os deficientes visuais, que não dispõem de guias de auxílio na maioria das ruas e prédios e, por isso, sempre precisam ser conduzidos.
''A sociedade sempre vê o deficiente como se ele estivese do outro lado, como se ele não fizesse parte da diversidade'', diz Leonart, reforçando a idéia de que além de eliminar as barreiras arquitetônicas é preciso derrubar a barreira do preconceito, discriminação ou generalização. Essa postura torna-se ainda mais necessária se levarmos em conta que 10% da população apresenta algum tipo ou grau de deficiência.
Para ajudar a conscientizar a sociedade sobre as dificuldades que a pessoa com deficiência encontra, uma tenda foi montada na Boca Maldita, onde foram disponibilizados alguns materiais, como bengalas, vendas para os olhos e cadeiras de rodas, para que as pessoas que têm todos os sentidos perfeitos pudessem fazer um 'test-drive' simulando situações enfrentadas pelos que têm algum tipo de deficiência.


