Caminhada forma liderança
A marcha que há duas semanas percorre o trecho Goiânia-Brasilia está sendo encarada pela cúpula do MST como uma escola de formação para novos líderes sem-terra nos Estados. O resultado disso virá após a marcha: ''A burguesia que nos aguarde'', afirma o coordenador nacional do movimento, João Paulo Rodrigues.
Durante as duas semanas de marcha, sem-terra de 23 Estados têm caminhado pela manhã e acompanhado palestras à tarde. Os temas são os de sempre: reforma agrária, conjuntura política atual, agronegócio, transgênicos e modelo econômico. O processo de treinamento dos sem-terra também é articulado por meio de rádios à pilha que, durante a caminhada, ficam sintonizados numa emissora exclusiva do MST.
''Durante a marcha formamos milhares de novas lideranças do Movimento. Na caminhada, trocamos a enxada pelas canetas, e ambos serão usados nas ações nos Estados'', disse Rodrigues.
Neste ano, os sem-terra deixaram as invasões de lado para priorizar a marcha. Entre janeiro e março, a Ouvidoria Agrária Nacional registrou 41 invasões, contra 56 no mesmo período de 2004. Só do MST, no mesmo intervalo, o número de ações, que vinha crescendo a cada ano, recuou de 35 para 33.
A marcha tem sido tratada pelo MST como um ato ''simbólico'' antes do retorno aos Estados. ''É um momento importante para o movimento. Estamos com o pique para acabar a marcha e partir para os Estados. A marcha é um ato simbólico'', disse o líder dos sem-terra.E.S/Folhapress





