Mesmo pessoas acostumadas com os riscos do trânsito em Londrina supreenderam-se com o alto índice de mortes por atropelamento. Rápidas declarações em meio ao vaivém da região central, no horário de pico, mostram que os pedestres andam assustados e que o saudável hábito de caminhar se transformou em num exercício extenuante de atenção e risco.
  ‘‘Eu tenho medo porque a velocidade dos carros e ônibus é muito grande. Além disso, tem muito motorista que passa com o sinal fechado’’, explica a zeladora Cleide Maria de Miranda, 48 anos, a caminho do trabalho. ‘‘Perto do Terminal, tem hora que abre para o pedestre e o carro vem em cima’’.
  A estudante Monara Proença, 14 anos, conta que a volta da escola pelas ruas centrais de Londrina ‘‘é horrível, principalmente porque ninguém respeita os sinais, e a buraqueira das calçadas atrapalha. A gente passa cada susto’’, diz. Monara relembra um deles, ocorrido na mesma esquina em que conversa com a reportagem (Rua Sergipe com João Cândido), um dos 70 cruzamentos do Centro em que o semáforo não ajuda a travessia dos pedestres. ‘‘O sinal fechou para o carro, e quando fui passar, ele veio em cima. Sorte que saí rápido. Ele quase passou em cima do meu pé e nem viu’’.
  A idéia de um mundo onde pedestres e faixas de segurança são respeitados criteriosamente – comum em países da Europa e América do Norte, por exemplo, e em algumas cidades brasileiras – soa como um sonho para o calejado transeunte londrinense. ‘‘Seria bem diferente. Hoje, andar pelas ruas é um tormento, mas poderia ser bem melhor. Alguém tinha que fazer alguma coisa’’, pede a aposentada Silvana Rodrigues Silva, de 67 anos.
Rua Araguaia A descrença do cidadão comum em ações do poder público, a favor do pedestre, fica evidente na declaração do comerciante aposentado e membro da Associação dos Moradores da Vila Nova, Maurício Lorre, sobre o início de obras de sinalização na Rua Araguaia – área que representa um dos pontos de maior risco para pedestres em Londrina. ‘‘Isso, só vendo. Era para ter saído faz anos, já reivindicamos há muito tempo. A vida do pedestre aqui é um caos, o cara deu um passo e não sabe se vai atravessar ou morrer no meio da rua. Foi o que aconteceu com um sapateiro: morava há 40 anos aqui, e, no ano passado, morreu atropelado. A velocidade dos carros é criminosa’’, afirma.
  A estudante Keren Venturini, 11 anos, passa duas vezes por dia na Rua Araguaia, sempre acompanhada por parentes, e tem várias histórias para contar a respeito de acidentes e atropelamentos. ‘‘Eu tenho muito medo, já morreu uma mulher bem ali. Parece que estava grávida, coitada’’.
  As ações anunciadas pela prefeitura para a Rua Araguaia devem ter início hoje e envolvem a sinalização preventiva e pintura de faixas de pedestre.(F.C.)

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