Ainda é um período de testes e adequações, mas desde o último sábado o Calçadão de Londrina (Centro) já está sendo vigiado 24 horas por dia por uma câmera, cujas imagens são acompanhadas em tempo real pela Central de Operações do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM). Para que a mesma tecnologia possa ser ampliada para outros pontos violentos da cidade, no entanto, a Prefeitura Municipal precisa realizar licitação para compra de equipamentos e pleitear uma verba federal para bancar o custo do projeto, estimado em cerca de R$ 2 milhões. A iniciativa não conta com apoio financeiro do governo do Estado.
Os primeiros testes estão sendo realizados com dois modelos tecnológicos - fibra ótica e internet banda larga. A câmera, instalada em um ponto secreto do Calçadão, está protegida por uma cúpula escura e chega uma distância de até 800 metros com alto grau de nitidez. As imagens captadas são observadas por um policial militar e também são gravadas dia e noite, para posterior análise. O equipamento possui zoom de 18 vezes, capaz de captar detalhes como placas de veículos e pequenos objetos de mão. Em poucas horas de operação, a câmera já flagrou uma situação de tráfico de drogas no trecho monitorado, mas a polícia não conseguiu realizar o flagrante.
Representando a prefeitura, o secretário municipal de Governo, major Adalberto Pereira, explicou que para a idéia ser ampliada para outros pontos de Londrina será preciso abrir um processo licitatório para a compra dos equipamentos necessários. Do total estimado para o projeto, o Município vai usar R$ 600 mil do Fundo de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom) e buscar o restante junto à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). ''Para conseguirmos a verba federal, temos que colocar o sistema em funcionamento'', esclareceu o secretário. Os custos de manutenção também serão bancados pela prefeitura. Pereira preferiu não estabelecer prazos rígidos mas a expectativa é que as primeiras câmeras já estejam funcionando até o final do ano. O vereador Orlando Bonilha também participou da apresentação do projeto, como membro do Funrebom na Câmara.
Questionado se guardas municipais poderiam ajudar a diminuir o tempo de reação das polícias Militar e Civil quando algum crime for flagrado, o secretário argumentou que esses servidores só poderiam atuar na proteção do patrimônio público, o que não seria o caso do Calçadão. ''Ali, estamos falando da segurança do cidadão. Logradouros públicos não entram no papel da Guarda Municipal'', completou.
O comandante do 5º Batalhão, coronel Joacyr José da Silva, antecipou que as informações do boletim unificado e do sistema de geoprocessamento das ocorrências vão mostrar para a polícia os locais mais apropriados para instalação das próximas câmeras. Depois de diagnosticar 100 pontos de maior incidência de crimes, uma segunda apuração identificou os 20 mais problemáticos como prioritários. O coronel ressaltou que o sistema deve operar em melhores condições depois da implantação do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Sobre o tempo de reação da PM, o comandante alegou que deve variar de caso para caso mas garantiu que será o menor possível.

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