Camelôs são ouvidos pela polícia sobre CDs piratas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de dezembro de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
''A qualquer momento podemos realizar uma nova blitz no camelódromo'', afirmou ontem o delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Londrina, Sérgio Luiz Barroso. Ele foi o responsável pela operação ocorrida no dia 4, no camelódromo das avenidas Leste-Oeste e São Paulo (área central), e que resultou na apreensão de cerca de dez mil CDs e fitas-cassete piratas. Ontem, o delegado ouviu 16 ambulantes que vendiam CDs falsificados no dia da operação. Ele disse ainda que a intenção na próxima operação é pegar os proprietários em flagrante e prendê-los.
Até o final do mês, Barroso pretende intimar, pelo menos, mais 30 pessoas. Todos são acusados de crime contra o direito autoral, previsto no artigo 184, parágrafo 2º do Código Penal. De acordo com o delegado, este crime prevê a pena de um a quatro anos de reclusão.
Os depoimentos foram prestados durante o dia todo. O advogado de dez dos acusados, Seishin Yogi, reafirmou que seus clientes não eram falsificadores porque apenas ''revendiam'' o material pirateado. ''Eles não podem ser acusados de violar os direitos autorais porque são apenas revendedores e não produtores. Os CDs piratas serviam para complementar a renda'', afirmou Yogi.
O advogado admitiu, porém, que todos os ambulantes estavam cientes que a comercialização de produtos falsificados é ilegal. ''Mas nossa tese (de defesa) é bastante consistente. Acredito que o Ministério Público vai considerar isso'', ressaltou.
O delegado criticou o fato dos declarantes ''desconhecerem os vendedores'' de CDs piratas. ''Eles disseram que pessoas passam por ali e oferecem. É muito estranho não saberem nem os nomes dos vendedores'', disse Barroso, lembrando que um dos objetivos da polícia é identificar as pessoas que organizam o processo de falsificação dos discos e fitas.
Barroso afirmou também que os restante dos camelôs suspeitos de vender material pirata também será ouvido durante o inquérito. Na operação realizada há duas semanas, foram identificados 49 boxes suspeitos mas apenas 19 foram vistoriados. ''Temos os números dos demais boxes. Vamos identificar os donos e ouví-los também'', informou.
A operação provocou polêmica devido a ação da polícia e a reação dos ambulantes. Policiais foram acusados de agressão. Em retaliação, os camelôs depredaram lojas e bloquearam uma das principais avenidas de Londrina ateando fogo em tambores e pedaços de madeira.
Depois de concluídos os depoimentos, o inquérito será enviado ao Ministério Público, juntamente com o laudo do Instituto de Criminalística, órgão que está analisando os 9.947 CDs e 1.086 fitas cassetes apreendidos. (Colaborou Betânia Rodrigues)


