Mais uma vez os ambulantes de Londrina receberam com ressalvas a nova tentativa de regularização da atividade. Eles são desfavoráveis à proposta de subsídio de parte das despesas com aluguel feita pela prefeitura para se instalarem no shopping popular no prédio da Loja Móveis Paulista (área central). Mesmo com o município bancando um terço da despesa mensal com aluguel concedendo R$ 10 mil mensais para completar os R$ 30 mil cobrados pelo proprietário os camelôs que trabalham na Avenida São Paulo temem perdas ao final dos dois anos de subsídio e afirmam que não têm condições de arcar com as despesas de adequação das 314 lojas no novo endereço.
Às 8h30 de hoje ocorre nova rodada de negociações entre a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e os representantes da ONG Canaã ambulantes da São Paulo e da Associação do Camelódromo de Londrina na Avenida Leste/Oeste. Entretanto, o presidente da ONG, Rogério Gonzales do Nascimento, já adiantou que deverá propor a ampliação do camelódromo na Leste/Oeste, nos mesmos moldes do que já existe atualmente.
A vice-presidente da ONG, Fabiana Alves, assegurou que apenas 20% dos ambulantes atuais da Avenida São Paulo teriam condições de arcar com as despesas fixas no shopping popular. ''Antes de decidirmos qualquer coisa, vamos ter que estudar a questão, até porque subsídio não é garantia de nada'', avaliou.
Segundo a ONG, o faturamento mensal dos 220 boxes na São Paulo gira entre R$ 400,00 e R$ 500,00 cada. No camelódromo, eles pagaram R$ 312,00 pelo ponto e tiveram que arcar com a adequação dos espaços que foram entregues sem as portas, prateleiras, piso, pintura e iluminação. Os ambulantes pagam mais R$ 20 mensais de condomínio e os que abriram firma para poderem comprar e vender com nota fiscal gastaram mais R$ 110,00.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, lembrou que o subsídio ''não está fechado'' e que é preciso continuar a discussão sobre a proposta que, segundo ele, tem a simpatia do prefeito Nedson Micheleti (PT).
Ele disse não acreditar que a proposta será alvo de críticas, porque é vantajosa para o município. De acordo com Sella, se o município decidisse desapropriar o prédio da Intercontinental, em frente ao Terminal Urbano, iria gastar entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões. Já os 24 meses de subsídio custarão R$ 240 mil. ''Estamos transformando pessoas em situação irregular em (trabalhadores) formais... Se subsidiamos outros empreendimentos porque não fazermos o mesmo com esse.''

mockup