Camelôs querem shopping no centro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de abril de 2001
Érika PelegrinoDe Londrina 
Os camelôs do centro de Londrina querem instalar um centro comercial popular com espaço para atividades culturais no terreno público localizado entre o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e a Supercreche, na rua Benjamin Constant, Esta é a única grande área pertencente à Prefeitura, situada no miolo da região central de Londrina.
O terreno já foi cogitado, na administração passada, para outras obras, como o Teatro Municipal, que nunca saiu do papel e o Centro de Eventos, que acabou sendo construído pela iniciativa privada na zona sul da cidade. Agora a Associação dos Vendedores Ambulantes da Rocha Pombo sugere que seja construído no local uma espécie de shopping popular, nos moldes do Mercado Modelo de Florianópolis (SC).
Na quarta-feira Manoel Barbosa, presidente da associação, apresentou a idéia para o presidente da CMTU, Wilson Sella. A idéia é um centro com espaço para lojas, exposições de artesãos, apresentações artísticas e culturais com calendário todo o ano, praça de alimentação, serviços de utilidade pública (banco, agência de correio, casa lotérica).
As pessoas pensam que os camelôs estão querendo um shopping. Não é isto. Queremos um espaço para alavancar o comércio nesta região, com atividades que atraiam turistas, afirma Barbosa. Sella diz que endossa a idéia dos camelôs, mas o local onde este espaço será instalado ainda não foi definido. Desde que assumiu a CMTU, há quatro meses, a solução para os camelôs está em estudo.
O Hotel Berlim e o Terminal Urbano, além do terreno sugerido pelos camelôs, são possibilidades não descartadas por Sella. A CMTU pretende revitalizar a região do Calçadão até o Terminal Urbano melhorando o trânsito, otimizando o comércio. O terreno entre o PAI e a Supercreche faz parte desta revitalização e, segundo Sella, poderá ser utilizado tanto para uma praça quanto para a criação de um espaço nos moldes do idealizado pela associação de vendedores ambulantes.
Porém, ele afirma que antes de fazer um projeto e definir local está cadastrando as pessoas que já trabalham no setor. Temos que estancar a quantidade de camelôs que aumenta todos os dias. Hoje são 240. Sella salienta que não há prazo para iniciar as obras. Não quero fazer um assentamento de camelôs, mas um centro de excelência de comércio de produtos populares, afirma.
O presidente da associação dos vendedores ambulantes diz que os camelôs não estão satisfeitos com a forma como a questão vem sendo encaminhada. O Sella já disse que nós não somos prioridade. Não me interessa mais negociar com ele, agora vamos falar com o prefeito. Na segunda-feira, de acordo com Barbosa, haverá uma reunião entre o prefeito Nedson Micheleti (PT) e os camelôs.
Saímos das ruas São Paulo e Professor João Cândido, a pedido do Sella, esperando uma solução definitiva e até agora nada foi feito, diz Barbosa. Embora as ruas que cercam o Terminal Urbano estejam lotadas de barracas, Barbosa diz que a quantidade de camelôs não aumentou. Apenas estamos mais concentrados, porque agora estamos todos em volta do Terminal e não espalhados, justifica.


