Camelôs querem mais espaço no Centro
Lorena Aubrift Klenk
Curitiba
Marcelo AlmeidaProtestoDepois de fazer passeata pelo Centro da cidade, comissão de camelôs foi recebida pelo secretário de Urbanismo
Terminou sem acordo, ontem, mais uma reunião entre representantes dos camelôs e o secretário municipal de Urbanismo de Curitiba, Carlos Alberto Carvalho. Os camelôs querem a ampliação do número de vagas no Centro da cidade, para que possam regularizar sua situação, e o afastamento de fiscais acusados de truculência e corrupção. O secretário não prometeu mais vagas e disse que as denúncias contra fiscais precisam ser formalizadas para merecer apuração. O tesoureiro da CUT, Areovaldo Figueiredo, que acompanhou os camelôs, saiu da reunião ameaçando: Se a nossa palavra não vale, os camelôs vão continuar enfrentando os fiscais, até aparecer o primeiro cadáver. Quem sabe assim o prefeito resolve a situação.
Figueiredo e uma comissão de camelôs foram recebidos pelo secretário depois de uma passeata pelo centro da cidade, com cerca de 50 vendedores ambulantes que trabalham em situação irregular. Foi o terceiro protesto da categoria desde o final do ano passado, quando o então chefe do Departamento de Fiscalização foi preso sob a acusação de tomar mercadorias de camelôs para venda em benefício próprio.
Os camelôs dizem que esse tipo de problema é frequente e envolve vários outros fiscais. Há um mês eles apresentaram à Secretaria de Urbanismo uma lista de 15 fiscais acusados de roubar mercadorias e usar truculência contra os camelôs. Eles tomam as mercadorias e não fornecem o termo de apreensão, como manda a lei, diz Maria Helena Maciel, que vende relógios no centro da cidade. Ela diz que, no dia 20 de janeiro, foi agredida por fiscais e por policiais militares porque se recusou a entregar mercadoria.
O secretário de Urbanismo diz que está disposto a apurar as denúncias e forneceu aos camelôs um modelo de formulário para que elas sejam formalizadas. Mas, segundo ele, existem na secretaria mais de 150 laudos que comprovam agressões feitas a por fiscais por camelôs. Segundo ele, todos os fiscais estão passando por uma reciclagem que procura prepará-los melhor para abordar os ambulantes.
O secretário lembrou que os ambulantes não cadastrados infringem a lei ao vender produtos contrabandeados e vão continuar sendo fiscalizados. Segundo ele, a ampliação de vagas no centro da cidade está descartada. Estamos estudando a abertura de vagas nos bairros, disse.
Atualmente existem em Curitiba 2.547 vendedores ambulantes regularizados. A lista de espera por uma vaga tem 716 nomes. Os camelôs querem que a prefeitura faça um estudo para a criação da rua dos importados - uma espécie de camelódromo, como já existe em outras capitais.
Carvalho disse que a idéia pode ser estudada, mas parece inviável. Segundo ele, a dificuldade no acompanhamento fiscal das mercadorias que entram num local como esse já levou ao fechamento do camelódromo de Brasília. Seria preciso um plantão fiscal permanente, o que dificulta a iniciativa, afirmou,





