O vereador Orlando Bonilha (sem partido) deve protocolar esta semana na Câmara um projeto de lei permitindo a ocupação pelos camelôs de um trecho da Avenida São Paulo, na área central de Londrina, por mais um ano. Ele alega que é uma reivindicação da categoria e diz que anexará um abaixo-assinado ao pedido.

Conforme o artigo 80 da Lei Orgânica Municipal, a autorização para uso de bens públicos por terceiros é de no máximo 90 dias, com anuência do Legislativo. No caso do camelódromo, a lei não foi cumprida. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) transferiu os ambulantes para o local sem permissão da Câmara.

Esse foi um dos temas discutidos ontem na primeira reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga a venda de boxes no camelódromo. Segundo denúncia feita no mês passado, alguns ambulantes estariam cobrando até R$ 8 mil pela posse da área. Para os vereadores Henrique Barros (PDT), Renato Araújo (PPB) e Orlando Bonilha, as 33 transferências requisitadas pelos camelôs são vendas disfarçadas. ''Vamos convidar as pessoas que venham até a Câmara esclarecer o assunto'', adiantou Barros, que é o presidente da CEI.

Embora duvide da possibilidade da negociação, a Associação dos Vendedores de Produtos Nacionais e Importados (AVPNI) não tem provas que sustentem sua posição. ''Cabe aos denunciantes o ônus dessa tarefa'', disse o vice-presidente da entidade, Rogério Gonçales.

Ontem à tarde, os integrantes da Comissão da Câmara e o presidente da CMTU, Wilson Sella, estiveram no camelódromo conversando com os ambulantes. Durante a visita, eles criticaram a existência de três boxes de alimentos e bebidas. O presidente da AVPNI, Manoel Barbosa Freire, respondeu na mesma moeda. ''Como é que vamos trabalhar o dia inteiro sem comer e beber? Nem um banheiro temos aqui. Isso é desumano.''

Sella admitiu novamente que antes da denúncia já tinha ouvido falar sobre a venda dos boxes, mas alegou que não tinha provas. Segundo ele, os camelôs sabiam que a prática era proibida. Por causa disso, o presidente da CMTU ainda não autorizou os pedidos de transferência que estão sendo analisados. Enquanto isso, a companhia intermedia um financiamento para a instalação do Shopping Popular, que abrigará todos os camelôs e artesãos da cidade. O empréstimo será de no máximo R$ 5 mil, em nome de cada camelô, que deverá utilizar metade do dinheiro para investimento na barraca e a outra parte como capital de giro.

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