Os comerciantes do Shopping Popular de Londrina, o Camelódromo, podem receber o apoio da administração municipal para negociar e efetuar a compra do prédio na Área Central da cidade. O pedido foi feito ontem por cerca de 50 representantes das organizações não-governamentais (ONGs) Canaã e Associação do Camelódromo de Londrina (Acal) ao prefeito Nedson Micheleti (PT). O secretário municipal da Fazenda, Wilson Sella, admitiu que os camelôs poderão ter auxílio financeiro do Município para a aquisição.
''O apoio deverá ser mais no perfil de ajudá-los a correr atrás de financiamento para viabilizar a compra, mas pode ocorrer ajuda financeira'', afirmou Sella, responsável pela transferência dos camelôs para o prédio, em sua gestão como presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O aluguel do Shopping Popular é pago pela prefeitura desde a inauguração, em janeiro de 2003. O acordo, no entanto, prevê que a responsabilidade pelo pagamento passa a ser dos comerciantes a partir de janeiro de 2005. A Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) permanece como avalista até 2007.
O presidente da ONG Canaã, Ulisses Sabino Nogueira, disse que o proprietário do imóvel, Ibrahim Sayet, está disposto a negociar a venda do prédio. ''Mas não conversamos sobre o valor'', declarou. Sayet confirmou que está disposto a negociar com os camelôs. Os comerciantes querem apoio da administração municipal na busca de linhas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal. Sella disse que deve atuar como ''assessor dos comerciantes'' nas negociações.
A pedido da reportagem, o imobiliarista Raul Fulgêncio avaliou o prédio de cinco mil metros quadrados em R$ 3,5 milhões. Segundo ele, no entanto, é difícil fazer uma negociação por mais de R$ 2 milhões devido à localização do imóvel.
O aluguel do prédio custa R$ 33 mil. Amanhã, o prefeito assina lei autorizando a liberação de mais R$ 42 mil para complementar o montante devido a reajuste no valor do aluguel até janeiro do ano que vem. O Shopping Popular tem 320 boxes e totaliza 350 comerciantes, incluindo os que trabalham na Praça da Alimentação. Segundo Nogueira, a maioria é a favor do projeto de compra.
Um exemplo é Paulo Teixeira, 49 anos. ''A gente pode pagar um pouco a mais por um negócio que é nosso'', declarou. Já Luciane Alves Dutra, 20, acredita que os comerciantes não terão dificuldade em bancar a nova despesa. ''Se alguém não pagar, é porque não quer pagar'', avaliou. ''O movimento aqui está bom. Principalmente para quem tem ponto bom como o meu'', acrescentou.
O comerciante Aparecido Tavares, 38, disse que considera boa a proposta, desde que a forma de pagamento seja negociada. ''Vai ser melhor do que pagar aluguel, mas tem que ser um prazo e valor que dê para a turma pagar.''

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