Cerca de 15 camelôs continuavam trabalhando ontem à tarde na Praça Rocha Pombo, no Centro de Londrina. Na última terça-feira a Promotoria do Meio Ambiente abriu processo pedindo a desocupação do local, sob a alegação de que a praça, tombada pelo Patrimônio Histórico do Paraná, estava sendo descaracterizada pela construção de um cômodo. De acordo com os ambulantes, este cômodo serviria de bebedouro para quem estivesse trabalhando ali.
Os camelôs encontram-se divididos quanto à necessidade de sair da praça. ‘‘O Manoel (Manoel Barbosa Freire, presidente da Associação dos Vendedores de Produtos Nacionais e Importados) veio aqui e me falou que a prefeitura pode vir me multar, mas como vão me multar se eu tenho alvará?’’, diz Valquíria de Almeida, que não pretende sair da Rocha Pombo. Ali, segundo ela, as vendas são melhores que na rua.
Maria Aparecida de Souza, que mantém uma banca de bijuterias, voltou anteontem para o ponto que ocupou nos últimos seis anos, na esquina da Avenida São Paulo com Benjamin Constant. Ela considera o local até melhor para vendas, e só pretende abandoná-lo se for determinado um ponto definitivo para trabalharem. ‘‘Os comerciantes reclamam, mas o que a gente vai fazer? Nós precisamos trabalhar.’’
Dividida também está a população quanto à volta dos camelôs para as calçadas. ‘‘É um absurdo. Eles tomam conta de tudo, a gente tem que desviar e ir pelo asfalto, se quiser passar’’, diz a dona de casa Araceles Perez da Silva. Outra dona de casa, Laura Martins, sai em defesa dos camelôs: ‘‘As autoridades têm que arrumar um lugar para eles trabalharem. São pessoas que dão um duro danado, e fazem isso para não roubar.’’
Manoel Barbosa Freire está convencido de que o melhor que todos têm a fazer é mesmo desocupar a praça. Segundo ele, os camelôs foram induzidos pelo presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gustavo Santos, e pelo prefeito Jorge Scaff (PSB) a ir para lá, há cerca de três meses. ‘‘Eles tiraram a gente de uma área que é responsabilidade do município e nos colocaram em uma área do Estado.’’ Ele acha que se for cumprido o prazo de 15 dias para o restante dos camelôs saírem da praça, neste meio tempo outros virão de fora e a situação ficará ainda mais complicada.
O diretor de operações da CMTU, Emerson Barros, disse acreditar que em poucos dias todos terão desocupado a Rocha Pombo. Barros admitiu, porém, que será difícil encontrar um lugar no centro a curto prazo.

mockup