Os camelôs que invadiram no começo da semana a Praça Rocha Pombo, área central de Londrina, promoveram ontem uma faxina completa no local. Um caminhão-pipa de uma empresa contratada pelos camelôs, se encarregou inicialmente da lavagem da fonte, que apresentava uma crosta de lodo e sujeira. Os ambulantes, que tinham desmontado as barracas, acompanharam entusiasmados a limpeza. Alguns comemoraram a cor azulada do chafariz, que foi aparecendo aos poucos. Após a limpeza da fonte, os funcionários iriam lavar as pedras (petit pavet) do calçamento. O trabalho da empresa, segundo o presidente da Associação dos Camelôs da Rocha Pombo, Manoel Barbosa, custou R$ 1 mil, pagos pelos próprios associados.
Dispostos a ficar na praça, os camelôs decidiram ‘‘trabalhar em um lugar limpo’’. Barbosa disse que a limpeza tem a finalidade de atrair a clientela. ‘‘A praça limpa vai trazer as pessoas de volta. Além de lazer, as pessoas vão encontrar produtos variados para comprar. Quem ganha com isso são os comerciantes, que reclamavam da nossa presença nas calçadas. Mas o maior beneficiado vai ser o londrinense, que vai ter uma praça bonita novamente’’, garantiu Barbosa. ‘‘A imagem vai melhorar’’, reforçou. Nos próximos dias, os ambulantes, em mutirão, vão pintar o meio-fio. Eles também pretendem reativar o chafariz, ‘‘como era no passado’’, assegurou Barbosa.
O presidente da associação informou que existem 200 camelôs cadastrados. De acordo com Barbosa, todos os ambulantes estavam trabalhando nas ruas Sergipe, Rio de Janeiro, São Paulo e João Cândido. No começo da semana, depois de uma assembléia na Concha Acústica, resolveram ocupar a Rocha Pombo. O caso repercutiu, principalmente pelo fato de a praça ser tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (Cmtu) Gustavo Santos, através da assessoria, informou que teve conhecimento da limpeza e considerou a iniciativa ‘‘louvável’’. Segundo a CMTU, não existe, pelo menos por enquanto, outro local para instalar as barracas dos camelôs. Os locais na área central da cidade que poderiam abrigar os ambulantes são propriedades particulares. Segundo a assessoria, seria preciso um contrato de aluguel. Em função da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a prefeitura não pode contarir compromissos e dívidas para a próxima administração. De acordo com a assessoria, os comerciantes estão apoiando a saída dos camelôs da frente das lojas e devem considerar a limpeza da praça uma iniciativa correta.

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