Warren NabucoEm ordemA segunda remessa de mercadorias legalizadas chegou ontem a Londrina, atendendo a 18 pedidos

Chegou ontem a Londrina a segunda remessa de produtos importados pelos comerciantes que trabalham no Camelódromo da avenida Leste-Oeste (área central). No total, foram 18 pedidos com produtos que variavam entre bonecas, guarda-chuvas, relógios, calculadoras etc. A importação, feita junto a uma empresa de Cascavel, atende a solicitação da Procuradoria Regional da República - através da Polícia Federal -, que tem fiscalizado a origem dos produtos e a situação dos camelôs que trabalham no local.
Segundo Jadir Sales, presidente da Associação dos Camelôs de Londrina, hoje praticamente todos os comerciantes - de um total de 94 -, que trabalham no Camelódromo ou estão totalmente legalizados, com firma aberta e emitindo nota fiscal, ou estão em processo de legalização. ‘‘Tem apenas nove camelôs, aproximadamente, que não querem se legalizar. Então nós vamos pedir que eles trabalhem fora daqui, porque não é justo com os outros’’, diz Sales.
O presidente da Associação dos Camelôs de Londrina avalia que, com a importação, o preço dos produtos comercializados no Camelódromo deva subir em torno de 40%. ‘‘Antes nosso lucro era de mais ou menos 100%. Agora, com o produto legalizado, deve cair para 20%’’, destaca. A expectativa é que em breve a Associação monte sua própria importadora, em sistema de cooperativa, para que os lucros sejam maiores, em aproximadamente 50%.
‘‘A margem de lucro caiu mais da metade e por isso vamos exigir muita coisa a partir de agora’’, destaca Jadir Sales. Segundo ele, falta segurança no Camelódromo e o espaço não tem o menor conforto. Quando chove, por exemplo, é comum as coberturas de lona não resistirem à pressão da água e os vazamentos são inevitáveis, molhando muitos produtos.

Comerciante pego
com produto ilegal
poderá responder
por contrabando


Outra questão levantada por Jadir Sales é a própria situação de lojas que comercializam produtos importados na Cidade e que eventualmente não tem uma fiscalização tão rigorosa quanto à que foi imposta aos camelôs. ‘‘A pressão foi muito grande em cima de nós. Espero agora que não inventem mais nada porque fizemos a nossa parte, estamos cansados de tanta pressão’’.
Além da importadora de Cascavel, os camelôs da Cidade têm comprados produtos de empresas de São Paulo e também de Londrina. No dia 2 de janeiro chegou a primeira remessa de produtos, com um total de 24 pedidos. Ontem mesmo novos pedidos foram feitos para compra de produtos importados. Para Jadir Sales, em breve os camelôs estarão acostumados com a nova fase do Camelódromo, apesar da dificuldade de adaptação. ‘‘A maioria aqui ainda nem sabe destacar uma nota’’, observa.
O delegado-executivo da Polícia Federal em Londrina, João Luiz do Prado, informou que está chamando cada um dos 94 camelôs que trabalham na Leste-Oeste para saber se estão legalizados ou não. Depois disso, informa, a fiscalização no local será rigorosa. ‘‘Mas valeu a pena dar um tempo para eles, todos têm demonstrado disposição em se legalizar’’, diz.
Amanhã, o contador da Associação dos Camelôs estará na sede da Polícia Federal fazendo nova avaliação da situação dos comerciantes. Prado acrescenta que o comerciante que for preso vendendo produtos de origem ilegal poderá responder inquérito por contrabando, cuja pena pode variar entre um e quatro anos.

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