Os vendedores do Camelódromo Municipal de Londrina devem permanecer comercializando os produtos em barracas na calçada até o final desta semana. ''Estamos com todos nossos homens trabalhando. Tem algumas coisas para terminar, mas em dois ou três dias acho que acaba'', garante o presidente da ONG Canaã, que é responsável pela administração do estabelecimento, Rogério Gonsales.
O prédio foi fechado no final da tarde da última sexta-feira, por determinação judicial, sob justificativa de falta de segurança ao consumidor e multa diária de R$ 5 mil, caso permanecesse aberto. ''Ninguém esperava essa decisão. O promotor (de Direitos do Consumidor, Miguel Sogayar) e os bombeiros estiverem aqui na semana passada e não falaram nada. Talvez tenha sido uma decisão precipitada, porque a gente já estava tentando se readequar'', reclama Gonsales.
Outros comerciantes também não concordam com a interdição. ''Se a gente entrou aqui há quase cinco anos, todos estes ajustes já não tinham que estar feitos? Ou mudou a lei de lá para cá?'', questiona um vendedor.
Por determinação do Corpo de Bombeiros, a administração do Camelódromo teve que instalar uma porta de emergência e corrimãos nas escadas do prédio. De acordo com o tenente Roberto Geraldo Coelho, responsável pela vistoria, o pedido de análise das condições de segurança partiu do Ministério Público. ''Antes a gente não tinha feito vistoria, nem quando eles entraram. Quando a gente fez, identificou as irregularidades'', afirma.
O promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor, Miguel Sogayar, justifica que pediu a interdição a partir do princípio de prevenção. ''É preciso garantir segurança a quem frequenta. A parte da promotoria foi feita, agora eles estão se ajustando''.
Indignados, alguns comerciantes insistem que as reformas deveriam ter sido feitas antes deles ocuparem aquele prédio, em 2002. ''Uma coisa a gente garante: essa reforma não vai ficar pronta amanhã (hoje). O que os camelôs vão fazer? Ficar sem trabalhar? Cada um paga quase R$ 500,00 de aluguel e condomínio aqui'', reclamou outro vendedor.
O comerciante de óculos, Marcos Andrade, acredita que se as reformas serão benéficas. ''É muito ruim trabalhar na rua, até por causa do sol, mas se é para melhorar, tudo bem. O que não pode é ficar enrolando muito''.
Em outra barraca, a cliente Sueli Dias Prado, que mora em Lisboa (Portugal) e está de férias na cidade, reclama: ''Queria levar algumas coisas para lá'', justifica. ''Na verdade, parece que tudo está mais complicado por aqui''.

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