Em votação a ser realizada hoje, das 11 às 14 horas, na administração do Shopping Popular, será eleito o novo presidente da Organização Não-governamental (ONG) Canaã. A entidade tem como associados 220 camelôs, que trabalhavam anteriormente na avenida São Paulo, e que representam mais da metade dos vendedores do Shopping Popular. O cargo será disputado por Ulisses Sabino Nogueira, que trabalha como camelô há mais de dez anos, e o atual presidente da ONG, Rogério Gonsales, que diz trabalhar como ambulante desde os oito anos.
''Minha idéia era abrir espaço para que outros vendedores se candidatassem, mas apenas uma chapa foi formada'', diz Gonsales, justificando sua tentativa de reeleição. Ele participou da fundação da Canaã, há três anos.
Ulisses Sabino diz que a prioridade de sua administração será viabilizar o Shopping Popular como negócio. ''Estamos em outra fase e é necessário estimular a legalidade entre os camelôs. Sobre os vendedores que reclamam das baixas vendas, pretendo criar uma segunda forma de acesso ao 2º piso, com rampa'', explica. Outras propostas de Sabino incluem a criação de um restaurante popular, com refeições a R$ 1, a implantação de um berçário, de um convênio odontológico e de prestação de contas em edital.
O candidato diz que não irá tolerar a venda de boxes. ''É preciso dar estímulo para que os camelôs que estão lá fiquem'', explica.
Gonsales tem opiniões diferentes. ''Os camelôs da São Paulo investiram R$ 300 mil no antigo Camelódromo, quem quiser sair porque não tem condições de ficar tem que ser ressarcido com a venda. O município está investindo R$ 3.165 por ambulante, é preciso apenas discutir quem vai dar esse dinheiro aos cofres públicos: quem vai vender ou comprar o box'', diz o atual presidente.
''Sobre a legalidade, no espaço antigo, havia de 70 a 80 camelôs que vendiam produto falsificado. Hoje, não são nem 20. Os próprios vendedores estão se adequando''. Esses dados, porém, não foram confirmados pela Folha. Há cerca de um mês, o jornal publicou reportagem mostrando que 90% dos vendedores instalados no Shopping Popular ainda comercializam produtos piratas, como o faziam na rua. Gonsales diz que a prioridade de uma eventual nova administração sua será a busca de mais público, através de uma praça de alimentação no 2º piso, a manutenção de um espaço cultural e propaganda maciça na mídia.

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