Camelôs e CMTU não entram em acordo sobre shopping popular
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
''Nós somos camelôs e não empresários. Ninguém vai tirar a gente da Leste-Oeste''. Essa foi a frase mais ouvida ontem durante uma reunião realizada na Supercreche entre a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e representantes do camelódromo. O assunto foi a transferência deles para o shopping popular que a prefeitura quer fazer no prédio onde funciona a loja Móveis Paulista, na esquina das ruas Mato Grosso e Sergipe, no centro de Londrina.
Os camelôs não querem nem ouvir falar no shopping. Eles justificam dizendo que o custo do empreendimento é alto. De acordo com Cleusa Maria da Silva, presidente da Associação Camelódromo de Londrina, cada camelô gasta por mês menos de R$ 100 para manter o negócio na Leste/Oeste: ''Se nós formos para o shopping vamos ter que gastar pelo menos uns R$ 500 por mês e ninguém aqui tem esse dinheiro'', diz ela. O presidente da CMTU, Wilson Sella, não quis falar em valores. Ele prefere primeiro discutir a idéia. ''A primeira coisa que precisamos fazer é descobrir qual é a capacidade de investimento que eles têm. Depois vamos discutir valores'', explica Sella.
A prefeitura quer encontrar uma solução comum para os 222 ambulantes que estão provisoriamente na Avenida São Paulo e para os 94 camelôs da Leste/Oeste. Até agora, nenhum dos dois grupos aceitou a idéia do shopping popular. Todos temem assumir dívidas.
A reunião foi tensa, com a participação de cerca de 30 camelôs, do Secretário de Cultura do município, Bernardo Pellegrini, e do presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Octávio Cesáreo Neto. Muita gente falava ao mesmo tempo e várias vezes os ânimos ficaram exaltados. Os camelôs da Leste/Oeste cobram fiscalização da prefeitura no centro da cidade, onde dizem que há vários ambulantes vendendo todo tipo de mercadoria. Eles também não querem trabalhar junto com os ambulantes que estão na Avenida São Paulo: ''Vocês estão errados, não vamos sair daqui fácil, não. Agora, pra resolver o problema da Avenida São Paulo a CMTU quer nos tirar da Leste/Oeste por quê?'' indagou outro. O presidente da CMTU diz que não consegue resolver um problema sem acertar o outro: ''Eu já esperava essa resistência, estava preparado para isso mas acredito que vamos encontrar uma solução'' afirmou Sella.
Em uma estimativa prévia, o procurador regional da República, Mario Ferreira
Leite, acredita que os ambulantes instalados nas avenidas São Paulo e Leste-Oeste movimentam cerca de R$ 500 mil por mês. Pelo menos R$ 50 mil deixam de ser arrecadados por conta do não recolhimento do imposto daqueles produtos vindos do Paraguai.


