Camelôs driblam fiscalização nas ruas
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quarta-feira, 12 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
Ser ambulante clandestino em Curitiba exige astúcia. Os camelôs ostentam o título de campeões nas artimanhas. Para não levar prejuízo, vendedor que se preze trabalha com poucos produtos à mostra. Ao menor sinal de fiscalização, a caixa de papelão deixa de ser balcão improvisado para virar esconderijo do contrabando.
Roberto tem 30 anos e mora há três anos na capital. Em seis meses, desde que decidiu ser camelô clandestino, já teve as mercadorias apreendidas por três vezes. Ele vende cigarros contrabandeados do Paraguai no centro da cidade. Sei que é proibido vender, mas eu faço o meu trabalho e os fiscais fazem o deles, defende-se o vendedor, que não possui licença da prefeitura para trabalhar nas ruas.
A Secretaria Municipal de Urbanismo tem uma lista com cerca de 700 vendedores ambulantes que esperam para obter licença para trabalhar nas ruas. Existem outras centenas de clandestinos espalhados pela cidade, afirma o gerente de fiscalização da secretaria, Luiz Cavaliere. Os camelôs credenciados pela Prefeitura chegam a 2.200.
Com um faturamento médio de R$ 350,00 por mês, José Alcir de Amorim, 36 anos, vende relógios há cinco anos em Curitiba sem nunca ter se regularizado na prefeitura. Amorim trabalha como ambulante porque não conseguiu outro emprego por causa do currículo escolar. Hoje em dia você vai caçar emprego e pedem o segundo grau. Eu só estudei até o quarto ano do primário, observa.
Amorim tem uma estratégia para não arcar com prejuízos em casos de blitz. A gente trabalha com pouca mercadoria porque, se perder, o prejuízo não é muito grande, acredita.


