James Alberti
De Curitiba
Vendedores ambulantes acusaram ontem fiscais da Prefeitura de Curitiba de agressão física e verbal durante as abordagens de fiscalização. As agressões seriam acompanhadas por policiais militares, responsáveis por garantir a legalidade das ações. Os camelôs afirmam que os excessos ocorrem desde 1997, quando o vendedor Olivir Gonçalves Carvalho, 26 anos, perdeu a visão do olho esquerdo depois de ser agredido por um fiscal.
Acompanhados de um representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT), os camelôs prometeram fazer passeatas até a prefeitura e cobrar a criação de um camelódromo, que seria uma promessa de campanha do prefeito Cassio Taniguchi. Uma comissão de camelôs, entrevistada pela Folha na sede do Sindicato dos Jornalistas, apontou os fiscais conhecidos por ‘‘Márcio’’, chefe das operações de fiscalização, Paulo Maia e Adailto de Miranda, o ‘‘cabeludo’’, como autores das agressões. Foram acusados também os PMs ‘‘Marcelino’’ e ‘‘Azevedo’’, que dariam cobertura. Marcelino e Márcio não quiseram comentar as acusações.
O secretário de Urbanismo, Carlos Alberto de Carvalho, negou que a criação de um espaço para os camelôs tenha sido promessa de campanha do prefeito. Taniguchi teria prometido a transferência de vendedores ambulantes credenciados a prefeitura para o mercado central, o que ocorreu. Nenhum dos denunciantes tem alvará da prefeitura. Segundo Carvalho, os camelôs vendem produtos de natureza desconhecida e não bastaria transferí-los. ‘‘Esse pessoal seria substituído por outro.’’
Mesmo assim, o secretário disse que as denúncias serão investigadas, a exemplo do que ocorreu com o caso do fiscal Carlos Alberto Miranda Santos, acusado de espancar o camelô Olivir Gonçalves. Santos foi retirado das ruas e faz trabalhos internos. Carvalho considerou normal as acusações. ‘‘Normal é que acusem’’, disse. Embora a regra diga que os fiscais devem trabalhar uniformizados, o secretário também achou normal que parte deles não usem uniformes, em algumas ações.
Segundo os camelôs, não vale pedir identificação aos fiscais, conforme recomendou Carvalho. Vendedores antigos, todos os camelôs conhecem por nome e sobrenome os fiscais. Quando eles se aproximam, os vendedores saem correndo para tentar preservar suas mercadorias. ‘‘Alguns deles vem atrás gritando pega ladrão. Aí o povo passa rasteira na gente’’, conta a vendedora Maria Maciel, 39 anos.
Segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), 46% da população economicamente ativa da Região Metropolitana de Curitiba não tem carteira assinada, a exemplo dos camelôs. Entre abril e novembro do ano passado, o número de pessoas sem carteira assinada na região pulou de 19,25% para 23,39%.Vendedores ambulantes prometem protesto para conseguir camelódrom o, mas secretário de Urbanismo diz que espaço serve só para legalizados
Albari RosaVIOLENTOSDurante os ‘‘arrastões’’, abusam da violência e trabalham sem identificação ou uniforme para não ser identificá-los

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