Camelôs de Londrina atrasam primeiro aluguel
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sábado, 12 de fevereiro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O primeiro aluguel do Shopping Popular de Londrina sob responsabilidade dos camelôs ainda não foi pago, apesar de ter vencido em 5 de fevereiro. Entretanto, os inquilinos e o proprietário do imóvel, localizado na esquina das ruas Mato Grosso com Sergipe (Área Central), concordam que a situação está sob controle e a dívida deverá ser quitada na próxima semana. O empreendimento reúne 348 comerciantes. O maior problema do Camelódromo de Londrina é o atraso de aluguéis referentes aos últimos meses de 2004.
O acordo da administração municipal com os comerciantes previa o pagamento do aluguel com recursos públicos até dezembro do ano passado. A Justiça, no entanto, suspendeu o repasse de mais de R$ 30 mil mensais em agosto. O impasse ainda está nos tribunais e não há prazo para o anúncio da decisão. Parte da dívida atrasada foi paga pela nova diretoria da organização não-governamental (ONG) Canaã, uma das entidades responsáveis pela administração do empreendimento.
''Pagamos parte dos atrasados e devemos acertar o aluguel de janeiro até a semana que vem'', garantiu a vice-presidente da Canaã, Fabiana Conceição Alves. Segundo ela, os bloquetos de cobranças estão sendo pagos pelos inquilinos e deverão viabilizar o pagamento. Além do aluguel, os camelôs também pagam o condomínio, que varia entre R$ 70,00 e R$ 100,00, de acordo com o tamanho e localização dos boxes.
O proprietário do imóvel, o comerciante Ibrahim Mohamad El Sayed, disse ter certeza que a situação será regularizada nos próximos dias. ''Somos maleáveis e temos uma relação de cordialidade com os camelôs. Não temos interesse em que eles saiam'', destacou. Ele afirmou ainda que o empreendimento está consolidado e é importante para a economia da cidade. ''Tem muita empresa que recebe mais incentivo e gera menos emprego que o camelódromo'', comparou. O Shopping Popular emprega hoje mais de mil funcionários de forma direta.
De acordo com o secretário municipal da Fazenda, Wilson Sella, a prefeitura está aguardando a decisão judicial para possivelmente fazer o repasse dos aluguéis pendentes do ano passado. A Companhia de Desenvovimento de Londrina (Codel) é a fiadora do shopping até 2007. ''Mas só seria acionada em caso de quebra de contrato, o que não vai ocorrer. Não acredito nem mesmo que o proprietário acione a Justiça para fazer a cobrança, já que as partes estão em entendimento'', declarou.
Fabiana Alves disse ainda que a nova diretoria está contratando um escritório especializado para prestar assistência jurídica, contábil e administrativa. Outra novidade deverá ser a fusão das duas ONGs responsáveis pela administração do empreendimento: Canaã e Associação dos Camelôes de Londrina (Acal).


