Camelôs da Leste/Oeste desistem da mudança
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sexta-feira, 02 de agosto de 2002
Marcos Espíndola<br>Reportagem Local 
A intenção da prefeitura de transferir todos os camelôs do Centro para o prédio do atual Shopping Paulista, entre as ruas Sergipe e Mato Grosso, caiu por terra ontem com a oficialização por parte da Associação Camelódromo de Londrina (Acal) da desistência de pelo menos 60 dos 94 camelôs instalados na Avenida Leste/Oeste. Em uma reunião tensa, na tarde de ontem, no gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT), os representantes da Acal anunciaram a intenção de não se transferir para o novo camelódromo (shopping popular), proposto pela administração municipal.
A decisão irritou o prefeito e o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella. Na quarta-feira à noite, um grupo de pelo menos 40 camelôs da Avenida Leste/Oeste, além da direção da Acal, se reuniram com o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSL), no seu escritório, no Patrimônia Regina (zona sul), para solicitar ajuda. Apoio esse garantido pelo deputado que os aconselhou a permanecerem onde estão (Avenida Leste/Oeste) e que, inclusive, colocou sua assessoria jurídica à disposição dos ambulantes.
O deputado confirmou à reportagem o encontro, segundo ele, a pedido dos camelôs. Segundo Belinati, a função exercida pelos camelôs requer a atuação em um local com grande movimentação de pessoas, ou seja, sobre as calçadas. A ida para o novo camelódromo, além do valor da locação considerado por ele exorbitante (R$ 30 mil), descaracterizaria o ramo de comércio dos ambulantes. ''Eles estão lá (na Leste/Oeste) desde o tempo da administração (Luis Eduardo) Cheida (1993/1997). Tem que brigar para eles (camelôs) permanecerem lá'', reconheceu o deputado.
Nedson e Sella preferiram não comentar o encontro dos camelôs com Belinati mas não esconderam o a preocupação com o fato, tanto que chamaram ontem as duas associações de camelôs da Leste/Oeste e Avenida São Paulo para uma reunião de emergência. ''Nós até aceitamos sair de onde estamos (Avenida Leste/Oeste), mas queremos ir para um camelódromo, sem luxo e sem outros tipos de estabelecimentos (âncoras). Nossa clientela é popular'', disse o primeiro secretário da Acol, Aparecido Ferreira Durães.
Ele, que também participou da reunião com Belinati, diz que a Associação encaminhou à CMTU um comunicado anunciando o cancelamento do termo de compromisso e de adesão ao novo camelódromo de Londrina e a intenção de permanecer onde estão instalados atualmente. No comunicado, datado de 31 de julho (quarta-feira), a Associação informa que um abaixo assinado confirma a desistência da maioria cerca de 60 dos 94 camelôs.
Nedson foi enfático ao manter a proposta do novo camelódromo e a intenção de inaugurá-lo ainda este ano. Ele garantiu apoio e assistência aqueles camelôs da Leste/Oeste interessados em se transferir para o novo camelódromo.
Com a saída da Acol, a alternativa será a Organização Não-Governamental Canaã, que segundo seu presidente, Rogério Gonsales, conta com a adesão de 100% dos camelôs (222) da Avenida São Paulo. ''Cada um saberá das responsabilidades com a decisão que vier tomar'', advertiu o prefeito. Já o presidente da CMTU foi categórico: ''Não vamos mais tolerar nínguem nas calçadas''.


