Camelôs correm atrás de imóvel próprio
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segunda-feira, 07 de junho de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Os camelôs do Shopping Popular, na Área Central de Londrina, decidiram ontem, junto com o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, avaliar a compra de outros locais além do prédio onde estão instalados atualmente, na Rua Mato Grosso. Eles dizem não descartar a possibilidade de mudar de endereço, caso encontrem imóveis de menor valor também no centro da cidade.
A compra de um imóvel próprio pelos camelôs foi estimulada pela decisão do município, divulgada na semana passada, de ajudar os comerciantes a obter financiamento. Hoje, a prefeitura banca o aluguel do Shopping Popular, que recentemente aumentou de R$ 33 mil para R$ 38 mil. O ''auxílio'' teve início em janeiro de 2003 e se estenderá até janeiro de 2005. Os camelôs alegam que será mais vantajoso adquirir um imóvel para não terem mais de pagar as taxas mensais de condomínio, que têm sido alvo de grande inadimplência.
Em reportagem publicada pela Folha na semana passada, um imobiliarista orçou o prédio do atual camelódromo em R$ 3,5 milhões, preço reduzível a R$2 milhões em eventual negociação. O valor, entretanto, está aquém da expectativa do proprietário do imóvel. ''Essa avaliação não leva em conta o uso do prédio'', afirma Samir Cury, que assessora o proprietário.
''Os comerciantes deverão contratar um auditor para avaliar o atual imóvel (do Camelódromo) e apurar também quanto vale cada box, para definir o valor que cada um terá que pagar na compra'', indicou Sella, que também disse apoiar a procura por locais mais baratos. Ele explicou que o papel da prefeitura na negociação será o de ''assessorar os camelôs e correr atrás de financiamento'', e comentou que o processo deverá ser lento. ''Essa reunião (de ontem) deve ser apenas a primeira de umas 30 que virão pela frente''.
Os camelôs afirmam que estão correndo contra o tempo para adquirir o imóvel do Camelódromo ainda este ano, aproveitando o calor das eleições. Para quitar o financiamento, contudo, a pressa é bem menor. De acordo com Clemari Santos de Oliveira, presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Canaã, que representa parte dos camelôs, os comerciantes só terão condições de pagar prestações mensais inferiores a R$ 100,00. O valor pleiteado é menor que o da mensalidade de uma casa popular financiada pela Caixa Econômica Federal na Zona Norte da cidade.
O próprio secretário de Fazenda declarou que o financiamento só será viável para os camelôs se tiver prazo de, no mínimo, 10 anos. Para obter isso, Sella diz que os comerciantes contarão com o ''prestígio do prefeito Nedson Micheleti e dos deputados paranaenses''. ''Teremos que procurar os deputados para abrir portas. O Shopping Popular é um formato que interessa ao Brasil, pois mostrou que pessoas que trabalham na rua podem se tornar comerciantes, com auxílio do Poder Público''.


