Camelôs congestionam Calçadão mas reclamam de vendas
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sábado, 14 de agosto de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
O habitual movimento das manhãs de sábado no Calçadão de Londrina ganhou reforço extra ontem. Com a greve dos fiscais da Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU), que já dura seis dias, os vendedores ambulantes tomaram conta dos espaços em frente às lojas. O resultado foi um cenário para lá de diversificado, com barracas de políticos e grupos de ciganas dividindo a cena com toda a sorte de mercadorias: de óculos a DVDs, de imagens de santos a morangos.
Tamanha variedade de opções de compra agradou a empresária Andréia do Nascimento que, ao sair de uma loja de departamento, se deparou com livros de histórias infantis e não resistiu. Desembolsou R$ 10 para presentear o filho com um exemplar. ''A embalagem vem com vários livrinhos'', comentou, certa de que fez um bom negócio. A auxiliar de produção Josiane Ribeiro também aproveitou o passeio no Calçadão para comprar uma pulseira em aço inox, tipo de produto que não motivaria a ida a um estabelecimento comercial. ''Passei, vi e gostei. Dificilmente entraria numa loja para comprar isso'', disse.
A representante comercial Mônica Nicoladeli observava, quase hipnotizada, as demonstrações das mil e uma utilidades dos cortadores de alimentos. ''Se tivesse dinheiro eu compraria, é muito útil na cozinha'', justificou. Apesar de aprovar a mercadoria, ela é contra a presença de ambulantes no Calçadão. ''Para a beleza da cidade e a movimentação de nós, pedestres, não é legal'', disse, observando que o lugar deles é no Camelódromo.
A momentânea liberdade para comercializar produtos no local não tem sido motivo de comemoração para os ambulantes, que reclamaram das vendas fracas. ''Com os fiscais na ativa, fica melhor para trabalhar. A gente arrisca, mas vende mais. Sem eles, tem muita concorrência'', argumentou Amilton Elias de Oliveira, enquanto montava pulseiras e chaveiros de aço. Mesma opinião tem o cearense José Aroldo Veloso, que se mudou para Londrina há três meses e sobrevive da venda de cabides de madeira. ''Quando os fiscais estavam aqui, a gente vendia mais''.
A greve dos fiscais da CMTU deve continuar amanhã. Eles pedem reposição salarial de 26,9% e incorporação do abono salarial aos cálculos para pagamento de 13º salário e férias.


