Os comerciantes do Camelódromo Popular da Rua São Vicente (Área Central de Londrina) adquiriram dois terrenos na Avenida Leste-Oeste, próximos ao Terminal Urbano de Transporte Coletivo, por cerca de R$ 350 mil. No local, eles pretendem instalar uma nova galeria de comércio, que deverá também abrigar outros serviços.
A notícia coincide com a crise registrada no Shopping Popular da Rua Mato Grosso, também na Área Central. As lojas passaram toda a manhã de ontem fechadas devido ao corte de energia elétrica executado pela Copel, por falta de pagamento (veja texto nessa página). Os comerciantes atribuem a inadimplência à queda nas vendas amargada nos últimos meses, especialmente depois que foram proibidos de comercializar CDs piratas.
A proibição foi estendida aos camelôs da São Vicente, mas a crise, aparentemente, não. O presidente daquele camelódromo, José Aprígio da Silva, explica que as vendas caíram ''um pouquinho'' em fevereiro, mas disse que a situação não chega a ser problemática. ''Tínhamos apenas quatro ou cinco bancas de CDs, o prejuízo não foi muito grande. Estamos aqui desde outubro do ano passado, ainda estamos divulgando nosso negócio'', argumentou. Ele não informou o faturamento mensal do camelódromo.
A queda nos lucros não impediu que o grupo de camelôs comprasse dois novos terrenos na Avenida Leste-Oeste, ao lado da Igreja Pentecostal. O negócio foi fechado em outubro de 2003. Juntos, os terrenos têm 1.162 metros quadrados de área. Segundo a imobiliária que respondia pela propriedade, o valor do metro quadrado naquela região gira em torno de R$ 300.
O presidente do Camelódromo São Vicente disse que preferia não adiantar detalhes sobre o novo negócio, mas comentou que a idéia é construir uma galeria que vai abrigar comerciantes e também prestadores de serviços, como advogados e engenheiros.
Com 73 lojas, a galeria do São Vicente ainda é desconhecida por boa parte da população. É comum encontrar os corredores vazios em vários momentos do dia. Ao contrário do Shopping Popular, cujo aluguel é pago pelo Município há mais de um ano, o camelódromo da São Vicente foi bancado pelos próprios comerciantes, que pagaram R$ 200 mil pelo terreno e R$ 146 mil pela obra. Grande parte deles é dissidente do primeiro camelódromo localizado nas Avenidas Leste-Oeste com São Paulo , onde permaneceram até a inauguração do novo. Alguns camelôs ainda detêm lojas em ambos os shoppings, mas Silva não soube dizer quantos.
Ele afirma, contudo, que o dinheiro investido por sua associação veio do lucro obtido quando os camelôs ainda trabalhavam na rua. ''Naquela época a gente 'deitava e rolava'. As vendas nunca mais foram as mesmas'', afirmou.

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